NARRATIVAS TERAPÊUTICAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, que não separa o observador do observado.

Terapia Narrativa com Casais

TERAPIA NARRATIVA COM CASAIS Entrando numa aventura com casais

MICHAEL WHITE, Narrative Practice –Continuing the conversations; Edited by David Denborough, W.W. Norton & Company, Inc., 2011, Capítulo 11 p. 149/156)

Vivemos numa cultura que tem a tradição de objetivar pessoas e relacionamentos com descrições de problemas; problemas são considerados inerentes às pessoas ou intrínsecos aos relacionamentos. Isto é, pessoas e relacionamentos são vistos como as fontes dos problemas que as pessoas vivenciam ao viveram. O problema é o caráter da pessoa, ou um déficit pessoal, ou uma deficiência pessoal, ou alguma qualidade do relacionamento. Nas psicologias, estas práticas são institucionalizadas através de instrumentos para classificações de distúrbios dentro das pessoas. Um dos instrumentos, o DSM-III, recentemente foi espetacularmente bem sucedido. (p. 149)

POSITIVISMO

Como foi que todo esse "progresso" surgiu? Há muitos desenvolvimentos, a maioria interrelacionados, que contribuíram para as possibilidades de individualização das pessoas e para a criação de discursos internalizados. Um dos desenvolvimentos que tem contribuído para esta individualização das pessoas é a ascensão do positivismo. Positivismo é uma abordagem para a compreensão dos acontecimentos no mundo e propõe que é possível conhecer diretamente o mundo - isso é possível para observadores de certos fenômenos ganharem um conhecimento objetivo da realidade, para identificarem "fatos brutos" e descobrir a “verdade” do mundo. Positivismo, é uma tentativa de chegar a estas verdades, emprega um método reducionista: Consiste em reduzir a complexidade dos fenômenos aos elementos básicos, que são então considerados os blocos de construção dos fenômenos em questão. Estes elementos podem ser categorizados e classificados e leis universais que regem tais fenômenos em todos os lugares e em todos os tempos podem ser “descobertas”.

Quando o positivismo foi aplicado às ciências humanas, as pessoas foram submetidas à avaliação de observadores armados com técnicas de avaliação, que foram considerados objetivas e, portanto, não implicados na construção das realidades trazidas. Fenômenos complexos, como refletidos no comportamento humano, foram reduzidos a certos elementos que foram considerados serem blocos construídos daquele comportamento – tais como certos traços, impulsos, necessidades, complexos de desejo, -etc. Comportamento e organização social, considerados de alguma forma problemáticos, foram avaliados como distúrbios nesses elementos básicos, transtornos que poderiam ser categorizados e depois classificados. Dessa forma, a classificação poderia representar a verdade da pessoa. Na história das psicologias, temos visto o desenvolvimento de várias abordagens importantes para a compreensão do comportamento humano e da organização social que são baseadas pelo pensamento positivista. A mais bem sucedida dessas psicologias tem sido aquelas que se baseiam na ideia de que o comportamento humano e a organização social refletem, de várias formas, a estrutura da mente ou do sistema emocional. Estas são muitas vezes referidas como psicologias profundas: seus métodos são transformados pelo positivismo, e engajam as pessoas em discursos internalizados. Não só essas psicologias são dominantes em domínios profissionais, mas elas também foram espetacularmente bem sucedidas na cultura popular. (P.150)

POS-POSITIVISMO E DESCONTRUÇÃO

Nestas notas, como uma alternativa a Terapia Positivista, eu discuto práticas de desconstrução particularmente aquelas que se relacionam ao trabalho com casais. A externalização do problema usualmente nos dá um ponto de entrada para este processo. Através de um processo de questionamento, a externalização do fenômeno revolve multicamadas, ousando ir além disso atrás do contexto em que é perseguido. Assim, ele tende a inserir casais em uma aventura. (p.151)

Perguntas da influência do problema

PERGUNTAS DE INTERPRETAÇÃO

Estas perguntas incluem aquelas questões que se relacionam com as conclusões, atitudes e percepções do relacionamento do casal que parecem ser inspiradas pela experiência dos parceiros com o problema. Essas questões introduzem discursos de externalização. Primeiro, o problema é objetivado e, em seguida, as conclusões são objetivadas:

• Como vocês veem estes problemas se refletindo no seu relacionamento?

• Falem-me com relação ao seu comportamento, sobre as conclusões, a que este problema os levou.

• Como este problema afetou a percepção do seu relacionamento?

• Que tipos de opiniões vocês formaram sobre seu relacionamento desde que têm estado sob a influência deste problema?

• Que tipos de observações sobre o seu relacionamento parecem ter sido reforçadas por este problema? (p. 151)

QUESTÕES PRÁTICAS

Estas perguntas incluem aquelas relacionadas com as práticas, estratégias e técnicas que parecem ser ditadas pelo problema:

• De que maneira vocês acham que este problema influenciou a interação de um com o outro?

• Em resposta a este problema, em que estratégias vocês estão observando um e outro se envolverem?

• Quais técnicas para lidar um com o outro vocês se sentem compelidos a recorrer? (p.152)

Questões de Efeitos Reais - QUESTÕES DE INTERPRETAÇÕES DOS EFEITOS

Estas perguntas encorajam as pessoas a identificarem os efeitos reais destas interpretações em termos das respostas dos parceiros e em termos de práticas de relacionamento.

• Como vocês acham que estas conclusões afetaram o que vocês fazem neste relacionamento?

• Como vocês acham que esta percepção do seu relacionamento influenciou na interação de um com o outro?

• De que maneira você acha que essas opiniões podem estar moldando os padrões em seu relacionamento?

• De que maneira vocês acham que estas observações podem fazer vocês duvidarem um do outro?(p.152)

QUESTÕES DE EFEITOS PRÁTICOS

• O que vocês acham que esses padrões estão fazendo com seu relacionamento?

• Como estas estratégias estão afetando seu relacionamento?

• De que forma essas técnicas estão moldando seu relacionamento?(p.152)

CONTEXTO DE PERGUNTAS DE INTERPRETAÇÃO E PRÁTICAS