NARRATIVAS DE VIDAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

NELSON MANDELA

NELSON MANDELA – FILME: A LUTA PELA LIBERDADE

Resumo publicado em: 10/12/08 por: Kamila Azevedo • Mandela – A Luta Pela Liberdade (Goodbye Bafana, 2007). • Diretor: Bille August • Roteiro: Greg Latter (com base no livro escrito por Bob Graham e James Gregory) • Elenco: Joseph Fiennes, Dennis Haysbert, Diane Kruger

Muito se conhece a respeito da história de NELSON MANDELA, advogado e um dos maiores líderes do movimento anti-Apartheid, na África do Sul – por causa dessa luta, NELSON MANDELA ficou preso por 27 anos, até ser libertado e, posteriormente, ser eleito o primeiro presidente negro da história do país em uma eleição totalmente democrática.

O filme “MANDELA – A Luta Pela Liberdade”, do diretor Bille August, nos apresenta à batalha do líder africano utilizando como ponto de vista o olhar de um homem cuja vida foi modificada profundamente por ele mesmo. James Gregory (Joseph Fiennes) trabalhava como guarda no sistema penitenciário quando, em busca de uma vida melhor para a família aceitou ser transferido para a Ilha Robben, prisão que abrigava aqueles que eram considerados os maiores terroristas da África do Sul. Gregory foi criado em uma fazenda, no interior africano, e conhecia os dialetos das tribos – por isso foi o candidato perfeito para ser o censor da área em que se encontravam presos NELSON MANDELA (Dennis Haysbert), entre outros líderes do Congresso Nacional Africano (CNA), partido que lutava contra a Apartheid. O trabalho de vigiar as visitas e as correspondências dos líderes do CNA, especialmente as de MANDELA, pelo período de 27 anos, faz com que James Gregory olhe a causa pela qual eles lutavam de outra forma. O interessante é perceber que a mudança vista em Gregory acaba tendo uma influência positiva em sua esposa Gloria (Diane Kruger), que era racista e acreditava que tipos como MANDELA eram os piores do universo, e nos seus dois filhos, que acabam indo cursar a universidade por causa dos ensinamentos de MANDELA.

Conhecido pelo trabalho na adaptação de “A Casa dos Espíritos”, da escritora chilena Isabel Allende, Bille August realiza um trabalho irregular na direção de “MANDELA – A Luta Pela Liberdade”, uma vez que ele não consegue aproveitar de forma adequada a interessante história que tinha em mãos. Outro grande problema do longa metragem são as atuações inexpressivas do elenco principal – a performance mais marcante acaba sendo a participação especial de Faith Ndukwana como Winnie Mandela. Escolhi outro filme INVICTUS para mostrar que mesmo após ser presidente a luta continuava. Este filme mostra um grande momento da vida de NELSON MANDELA.

INVICTUS outro filme sobre Nelson Mandela é um filme de 2009 do gênero drama biográfico esportivo, dirigido por Clint Eastwood e estrelado por Morgan Freeman e Matt Damon. A história é baseada no livro Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game That Made a Nation de John Carlin e na conquista da Copa do Mundo de Rugby de 1995 pela Seleção Sul-Africana de Rugby, organizada no país após o desmantelamento do apartheid. Freeman e Damon interpretam, respectivamente, o presidente sul-africano Nelson Mandela e François Pienaar, capitão da equipe da seleção sul-africana da rugby union, os Springboks.

INVICTUS foi lançado nos Estados Unidos e na África do Sul em 11 de dezembro de 2009. O título do filme pode ser traduzido do latim como “InCalim”, e é o nome de um poema do escritor inglês William Ernest Henley. O filme foi recebido com críticas e opiniões positivas, com destaque para as atuações de Freeman e Damon; pela interpretação como NELSON MANDELA. Morgan Freeman foi nomeado para o Oscar de Melhor Ator enquanto que Matt Damon foi indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante pela mesma cerimônia.

TEXTO RESUMIDO DO FILME (retirado da internet) Poderia dizer que minhas lágrimas quase caíram agora há pouco. Sim, o filme “Invictus” é realmente emocionante, principalmente no final. Um filme que não somente mostra a união que se formou para a torcida da África do Sul, por causa de uma mera Copa do Mundo de Rugby. Se só analisarmos o filme por esse ponto, seremos muito superficiais. De fato, o preconceito ainda consegue resistir. Algo completamente idiota, criado pela fraqueza do ser humano. Mas, na África do Sul, ele se mostrou maior com a terrível apartheid. MANDELA, quando assume a presidência, consegue unir o país, pelo que se percebe, por causa dessa Copa do Mundo. Simplesmente, digo que poderíamos aprender muito com esse filme, e com a inspiração que NELSON MANDELA passa.

Vale muito a pena assistir esse filme. Em fevereiro de 1990, MANDELA (Freeman) acabara de sair da prisão, depois de 27 anos. Quatro anos depois, foi eleito o primeiro presidente negro da história de um país, onde por décadas, a maioria negra não tinha quaisquer direitos políticos, sociais e econômicos. Por conta disso, há uma enorme tensão na África do Sul. Do lado dos negros, devido à ânsia de ocupar seu espaço e, em alguns setores, de buscar vingança. Do lado dos brancos, ainda a elite econômica e cultural da nação, medo e desconfiança, quando não alguma tentativa de boicote ao novo governo. Mostrando sabedoria política exemplar, Mandela sabe que terá de satisfazer aos dois lados e conquistá-los. Uma oportunidade se apresenta com a Copa Mundial de Rúgbi. Esporte branco por excelência, o rúgbi é desprezado pela maioria negra, que torce ostensivamente por todo e qualquer adversário do time nacional nas competições. Para piorar, a seleção nacional também não apresenta um desempenho dos melhores. O presidente MANDELA enxerga aí uma chance única. Assim, abre uma vaga na sua apertadíssima agenda para receber o capitão do time de rúgbi, François Pienaar (Matt Damon), o primeiro que ele ganha para a grande causa de vencer a Copa Mundial – uma tarefa que, neste momento, parecia simplesmente impossível. A atitude do presidente confunde não só Pienaar, prestigiado membro da elite branca, como seus próprios colaboradores negros. Nenhum dos lados entende o alcance deste esforço. Alguns consideram simplesmente ridículo que o presidente se ocupe de um assunto esportivo num momento em que o país se debate com um dramático déficit de investimentos, além da precariedade da infraestrutura, dos transportes, da saúde e da educação. Depois de ver o filme, a maioria deve pensar que a escolha do diretor Clint Eastwood para este filme é no mínimo inusitada. Acostumado a contar histórias de vingança, aqui ele conta uma história de superação através do esporte que ajudou a unir uma nação. MANDELA, mesmo depois de sair da prisão, não tem esse instinto de vingança. Diferente de muitas pessoas que trabalhavam para ele. A história começa logo depois da eleição de Mandela. O país se encontra totalmente dividido entre negros e brancos. Um treinador de rúgbi declara a seus comandados: Se antes os negros não estavam satisfeitos com a presidência, agora são os brancos que não estão satisfeitos.

E O QUE DIZER SOBRE MANDELA NA VISÃO DA TERAPIA NARRATIVA? Como se vê em cada aspecto da vida, no físico, mental social e coletivo é possível descontruir antigos problemas, velhos paradigmas, e reconstruir de uma forma nova os sonhos da humanidade de que somos todos iguais, buscando novas formas de se fazer ouvir (discursos, politica e esportes) e consolidar com novas posições que foram ouvidas e nos tornaram testemunhas dos seus sonhos.

LUTHER KING, GANDHI E MANDELA são figuras públicas que nos fascinaram com seus sonhas e suas vidas. A partir do que acreditavam transformaram suas vidas. Cada um seguiu um caminho diferente. LUTHER KING seguiu seu sonho da igualdade usando os direitos civis como ponto de partida. Todos os seres, negros ou brancos no seu país deveriam ter o direito ao voto, usando com liberdade suas escolhas. GANDHI queria a liberdade, mas queria a liberdade do seu país do domínio inglês e sonhou tirar seu povo da miséria. MANDELA seguiu seu caminho com a crença de que o caminho não era o da segregação, mas da liberdade. Deu o exemplo na sua própria vida e talvez por isso levou outras pessoas a lutarem com ele. Fizeram dos seus problemas do racismo, de libertação da Índia, da miséria e da liberdade da segregação ferramentas para um novo tipo de vida. Cada um com um foco social diferente, os três, de modos e mundos totalmente diferentes convidaram através de suas ações, o mundo a compartilhar e mudar os padrões de comportamentos de suas vidas através do panorama de suas ações e de identidade.

Panorama de Ação – foi possível focar no panorama das ações dos três e suas vidas. Nesse panorama foi oportuno focalizar questões que procuraram eventos (discursos, marchas, greves), ações e preconceitos em torno do racismo contra os negros nos USA; da independência do país, das mulheres e da miséria social na Índia; e da segregação social contra os negros, da apartheid na África, isso foi possível dentro e fora de suas vidas. No panorama das ações dos três estão incluídas as ações que foram descritas de forma sequencial nos filmes, e nos mostram os combates por suas crenças de acordo com seus pontos de vista e as situações que cada um enfrentou, cada um do seu jeito com discursos, passeatas e greves ou na prisão, buscarem apoio e ajuda para uma visão mais ampla da situação no enfrentamento dos problemas.

Panorama de Identidade - mostra à visão particular de vida de cada um e a implicação dos objetivos de LUTHER KING, GANDHI E MANDELA, as crenças que os impulsionavam, as suas qualidades pessoais, valores e habilidades. Nesse cenário são mostrados seus desenvolvimentos na formação da própria identidade, perpetrando nesse processo de desenvolvimento e consolidação, a re-autoria de suas histórias apesar dos imprevistos.

MANDELA demonstrou que mesmo tendo ficado preso por 27 anos poude comandar e transformou a prisão num palanque para a luta por sua liberdade e a de seu povo, e conseguiu se comunicar apesar de ter tudo contra ele.

Testemunhas Externas – ouvimos e validamos relatos das identidades preferidas de LUTHER KING, GANDHI e MANDELA. Fomos convidados a ouvir e validar relatos das suas identidades preferenciais. As pessoas presentes nos seus comícios e atos tinham uma experiência direta com a situação levantada e compartilhavam valores semelhantes com LUTHER KING, GANDHI E MANDELA, as pessoas em destaque. Até hoje, continuamos sendo Testemunhas Externas dos seus problemas que se tornaram instrumentos para a realização de seus sonhos por uma vida melhor, a inclusão dos negros para votar na luta dos direitos civis de LUTHER KING nos Estados Unidos. Apoiamos eles ainda hoje no combate da independência da Índia, e da luta contra à miséria e preconceitos de GANDHI na Índia e apoiamos a luta contra a segregação racial e o apelo de liberdade DE MANDELA na África do Sul e concordamos com eles em prosa e verso, no filme e na vida. Acho que esse não é o sonho apenas dos negros, mulheres ou outras minorias. É o sonho de quase todos os seres humanos. Estamos todos na plateia apoiando e sofrendo com as discriminações. Com os filmes podemos ver como cada um em diferentes lugares fez sua caminhada no social coletivo, defendendo ideias próprias mostradas nos seus panoramas de vida aquilo que lhes credenciaram na vida do dia a dia. O interesse social é uma forma de doação e de sair de si mesmo para uma doação ao mundo. Partiram de si mesmos para o coletivo  e o mundo aderiu as suas lutas como testemunhas externas. O mundo testemunhou e aderiu as suas lutas.

QUAIS AS REFLEXÕES QUE NOS VEM AO VERMOS A HISTÓRIA DESTES TRES GRANDES HOMENS: LUTHER KING, GANDHI E NELSON MANDELA?