NARRATIVAS DA VIDA

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

CAPITULO 7 – A QUESTÃO DE GÊNERO - FILME: OS AMANTES DO CAFÉ FLORE

CAPITULO 7 – A QUESTÃO DE GÊNERO – Novos tipos de relacionamento homem - mulher FILME: OS AMANTES DO CAFÉ FLORE

O filme conta a história da relação entre os filósofos SIMONE BEAUVOIR e JEAN PAUL SARTRE •

SINOPSE • Sorbonne, Paris, 1929. • SIMONE de BEAUVOIR se apaixona por um jovem problemático e rebelde JEAN PAUL SARTRE, juntos eles se deixam levar numa viagem erótica e emocional. • Ela levou vinte anos em profunda perversão, até afinal encontra encontrar forças para reivindicar sua própria identidade e fama.

NOME ORIGINAL: Les Amants Du Flore (2006) País: FRANÇA ROTULAÇÃO : Drama Biográfico e Questão feminina DIRETOR e ROTEIRISTA: Ilan Duran-Cohen

SARTRE E SIMONE: UMA HISTÓRIA DE FIDELIDADE SEM COMPARTILHAR O BANHEIRO PUBLICADO POR AMANDA MACIEL ANTUNES Esta é uma história de vida fascinante e enlouquecida. Mentes brilhantes explorando o jogo dos sexos, confrontando a mentalidade hipócrita dos mortais e a oposição entre masculino e feminino. JEAN-PAUL SARTRE e SIMONE DE BEAUVOIR se conheceram quando os dois eram estudantes em Paris no ano de 1929. Simone havia decidido se formar professora do ensino médio, uma posição apenas para as mulheres. Ela foi uma das primeiras mulheres a fazer os exames na Universidade Sorbonne de Paris. SARTRE, três anos mais velho e impulsionado por um ódio ao seu padrasto, era um ladrão e um adolescente rebelde, até que percebeu que os seus resultados escolares brilhantes o levavam para as mulheres. Na Sorbonne, SARTRE gostava de chocar seus colegas. Mas, quando conheceu a bela e jovem SIMONE estava em transe. Ela era tão inteligente quanto qualquer homem e, também desencantada com sua família burguesa, ela compartilhou o seu fascínio com o submundo de Paris. No último teste da universidade, em que ele passou em primeiro lugar, e ela em segundo lugar, SARTRE propôs casamento. SIMONE se recusou, não por qualquer razão filosófica, mas porque ela estava dormindo com um de seus amigos. E assim, em Primeiro de Outubro de 1929, SARTRE sugeriu um pacto: eles teriam um amor permanente “essencial”. Eles juraram fidelidade um ao outro, mas teriam casos extras, num relacionamento aberto. Até que durante a Segunda Guerra Mundial, quando SARTRE foi chamado, seus jogos de sexo continuaram através de cartas. Deixada para trás em Paris, SIMONE continuou a seduzir homens e mulheres, escrevendo as descrições excitantes de suas atividades para Sartre, o que revelam sua crueldade e a vulnerabilidade de suas conquistas. Quando ele finalmente voltou ela faz a Paris, ele a ignorou completamente e foi morar com sua mãe.

Simone jogou-se no trabalho e, faz uma visita pela América em 1947, e escreve seu livro mais importante, O SEGUNDO SEXO. Os americanos não gostavam de vê-la bebendo, zombavam de suas roupas e perceberam que Ela não gostava das faces insípidas das mulheres americanas que faziam de tudo para agradar seus homens. Porém, a mulher americana que ela realmente não gostava era, naturalmente, a sua rival: Dolores Vanetti. E foi para se vingar de Dolores e SARTRE que ela caiu na cama com o escritor Nelson Algren de Chicago. Os dois tinham muito em comum. Algren era um boêmio, um rebelde, um esquerdista e bebia tanto quanto SIMONE. Quando SIMONE descobriu a união de SARTRE e DOLORES, atordoada pela sua rejeição se deixou levar por Algren. Ela tinha 39 anos, estava sem um amante, durante muitos meses, e agora, pela primeira vez em sua vida, ela se apaixonou. Algren lhe comprou um anel de prata e lhe deu um anel barato que ela usaria pelo resto de sua vida. Mas ele não estava preparado para a fidelidade de SIMONE a SARTRE. Embora ela professasse em muitas cartas que o amava apaixonadamente, ela não deixaria JEAN-PAUL. SIMONE e SARTRE continuaram a se comunicar por cartas, encontros e nunca abandonaram um ao outro.Mesmo que ambos tivessem relações sólidas e passageiras, a amizade e a admiração pela mente do outro os unia. “Eu sou muito gulosa”, escreveu ela. “Eu quero tudo da vida” “Quero ser homem e ser mulher.”

BIOGRAFIA - QUEM FOI SIMONE DE BEAUVOIR? SIMONE LUCIE-ERNESTINE-MARIE BERTRAND DE BEAUVOIR nasceu em Paris, França, no dia 9 de janeiro de 1908. SIMONE DE BEAUVOIR foi escritora, filósofa, intelectual, ativista e professora. Uma de suas frases mais célebres é “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. Integrante do movimento existencialista francês, BEAUVOIR foi considerada uma das maiores teóricas do feminismo moderno. Dona de um espírito inquieto e revolucionário para sua época, BEAUVOIR rejeitou modelos, hierarquias e valores. Segundo ela: “Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado, que qualificam de femininos.” Na infância e juventude esteve num colégio católico e mais tarde, estudou matemática no Instituto Católico de Paris. Ainda que tenha sido criada numa família Católica, Simone optou pelo ateísmo. Segundo ela: “Era-me mais fácil imaginar um mundo sem criador do que um criador carregado com todas as contradições do mundo.” Foi também estudante de filosofia na Universidade de Sorbonne. Ali, conheceu JEAN PAUL-SARTRE, parceiro intelectual e com quem teve um relacionamento aberto toda a vida (cerca de 50 anos).  Ou seja, ambos não eram adeptos da monogamia e, portanto, tiveram outros parceiros sexuais ao longo da vida. Assim, nenhum deles chegou a casar ou ter filhos.

SIMONE lecionou em diversas escolas nas décadas de 30 e 40. Com a ocupação nazista na França, BEAUVOIR fugiu do país, retornando no final de guerra. Frequentadora de encontros filosóficos, em 1945, ela, Sartre, Merleau-Ponty e Raymnond Aron fundam a revista “Os Tempos Modernos” (Les Temps Modernes). Com periodicidade mensal, esse veículo foi muito importante para propagação de suas ideias. Sua paixão pelos livros foi notória desde a juventude.

Escreveu diversas obras da qual se destaca um dos maiores clássicos do movimento feminista “O SEGUNDO SEXO”, publicada em 1949. Vítima de pneumonia, SIMONE faleceu com 78 anos no dia 14 de abril de 1986 em sua cidade natal. Ela foi enterrada no Cemitério de Montparnasse, em Paris, ao lado de seu companheiro Jean-Paul Sartre.

Principais Obras: SIMONE escreveu diversas obras relacionadas com filosofia, política e sociologia. Escreveu romances, novelas, peças de teatro, ensaios e autobiografias: • A Convidada (1943) • O Sangue dos Outros (1945) • O Segundo Sexo (1949) • Os Mandarins (1954) • Memórias de uma moça bem-comportada (1958) • Uma Morte Suave (1964) • A Mulher Desiludida (1967) • A Velhice (1970) 86 • Tudo Dito e Feito (1972) Pensamentos que moldaram sua vida, um panorama de suas ações e de sua identidade.

Sem dúvida, sua grande contribuição foi no campo dos estudos sobre o feminismo e na luta da igualdade de gênero. Aliado a isso, Beauvoir foi adepta da teoria existencialista, onde a liberdade é a principal característica. Em sua obra “O segundo sexo” SIMONE aborda sobre o papel da mulher na sociedade e a opressão feminina num mundo dominado pelo homem. O livro foi considerado agressivo e incluído na lista negra do Vaticano.

No romance existencialista “Os Mandarins” SIMONE retrata a sociedade francesa no pós-guerra onde temas políticos, morais e intelectuais são discutidos pela autora. Com essa obra, BEAUVOIR recebeu o Prêmio Goncourt. De suas autobiografias merece destaque a obra “Memórias de uma moça bem-comportada” onde SIMONE apresenta relatos reais de sua vida com foco nos dogmas da igreja e nos comportamentos da sua família burguesa.

Nessa obra, também podemos notar o feminismo de BEAUVOIR. Uma de suas ideias mais polêmicas está relacionada com o casamento e a maternidade. Para ela, o casamento era uma instituição problemática e falida da sociedade moderna. E a maternidade, era uma espécie de escravidão, onde a mulher abdica de sua vida tendo a obrigação de casar, procriar e cuidar da casa. Sendo assim, para SIMONE a mulher deve ter autonomia. Nas palavras da autora: “Casamento é o destino tradicionalmente oferecido às mulheres pela sociedade. Também é verdade que a maioria delas é casada, ou já foi, ou planeja ser, ou sofre por não ser.”  “Não são as pessoas que são responsáveis pela falácia do casamento, é a própria instituição que é pervertida desde a origem.” “A humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si, mas relativamente a ele: ela não é considerada um ser autônomo.” Cheia de ideias polêmicas, BEAUVOIR conquistou muitos admiradores e por outro lado, há pessoas que abominam suas ideias. Em 1949, uma mulher toma consciência da alienação da condição feminina. Denuncia com virulência, através de um estudo muito exaustivo, a dependência do segundo sexo. O SEGUNDO SEXO é um estudo sobre a mulher e o seu papel na sociedade. Numa perspectiva histórica e mítica, seguidamente apoiando-se sobre experiências vividas, SIMONE DE BEAUVOIR mostra como, de uma maneira ou outra, a mulher sempre foi escrava do homem. Recusa a ideia de uma natureza feminina e mostra isso na sua literatura. Com efeito, o homem tenta fazer esquecer à mulher e sua dependência atribuindo um encanto específico ao seu sexo. Nada de naturalidade nem biológico coloca a mulher nesse determinado papel, a sua condição é um fenómeno meramente cultural. Saber que não é a inferioridade das mulheres que determinou a sua insignificância histórica, mas foi na sua insignificância histórica que demonstrou sua inferioridade. Quer seja mãe, esposa, rapariga ou prostituta, a mulher define-se apenas em função do homem e nunca para si própria: encarna o outro. Esta diversidade posta a priori provoca a impossibilidade de relações de reciprocidade e de igualdade entre os homens e as mulheres. Frequentemente assimilam à matéria as metáforas femininas, empregam geralmente ao seu vocabulário às matérias orgânicas e vegetais – mas a mulher aspira 88 tornar-se por último uma consciência autónoma. São de uma igualdade total entre os dois sexos que nascerá a liberdade da mulher. Este imponente estudo gerou a saída de um livro em 1949. Mas foi somente após 1970 que a obra conheceu um enorme sucesso que fez de SIMONE DE BEAUVOIR uma líder do movimento feminista. O estilo da obra, embora fosse controverso, procurou colocar o destaque sobre a ideia. O interesse deste estudo descansa sobre as qualidades de reflexão e grande erudição da autora que já se apoiava sobre os dados de Lacan ou de Lévi-Strauss.

Embora teórica na sua forma, apoia-se sobre uma abundância de exemplos concretos e ofertas das conclusões das mais realistas. Assim, aparece que é pelo trabalho que a mulher cruzou em grande parte a distância que o separava do homem, e que é o trabalho o poder único a lhe garantir uma liberdade concreta. As obras de SIMONE DE BEAUVOIR são marcadas fortemente pelo sistema filosófico de Jean-Paul Sartre. O Segundo Sexo parece assim responder ao desejo de Sartre de uma literatura que aja sobre o mundo. Entendendo o eterno feminino como um homólogo da alma negra, epítetos que representam o desejo da casta dominadora de manter em “seu lugar”, isto é, no lugar de vassalagem que escolheu para eles, mulher e negro, Simone de Beauvoir, despojada de qualquer preconceito, elaborou um dos mais lúcidos e interessantes estudos sobre a condição feminina. Para ela a opressão se expressa nos elogios às virtudes do bom negro, de alma inconsciente, infantil e alegre, do negro resignado, como na louvação da mulher realmente mulher, isto é, frívola, pueril, irresponsável, submetida ao homem.

Todavia, SIMONE DE BEAUVOIR não esquece que a mulher é escrava de sua própria situação: não tem passado, não tem história, nem religião própria. Um negro fanático pode desejar uma humanidade inteiramente negra, destruindo o resto com uma explosão atômica. Mas a mulher mesmo em sonho não pode exterminar os homens. O laço que a une a seus opressores não é comparável a nenhum outro. A divisão dos sexos é, com efeito, um dado biológico e não um momento da história humana. Assim, à luz da moral existencialista, da luta pela liberdade individual, SIMONE DE BEAUVOIR, em O Segundo Sexo, agora em 4a. edição no Brasil, considera os meios de um ser humano se realizar dentro da condição feminina. Revela os caminhos que lhe são abertos, a independência, a superação das circunstâncias que restringem a sua liberdade. (Retirado da Wikipédia).