NARRATIVAS DA VIDA

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

NISE DA SILVEIRA

CAPITULO 6 – NISE DA SILVEIRA - FILME: O CORAÇÃO DA LOUCURA

É imprescindível homenagear NISE DA SILVEIRA, pois inúmeras mulheres cientistas nunca foram reconhecidas por seus trabalhos e mesmo as que foram raramente são lembradas.

• FILME: NISE - O CORAÇÃO DA LOUCURA

• Data de lançamento 21 de abril de 2016 (1h 48min)

• Direção: Roberto Berliner •

Elenco: Glória Pires, Simone Mazzer, Julio Adrião, etc. • Gêneros Drama. • Nacionalidade: Brasil

NISE DA SILVEIRA * Nasceu: 15 de fev. de 1905. * Morreu: 30 de out de 1999 . * Cônjuge: Mário Magalhães da Silveira

* Filme não recomendado para menores de 12 anos NISE DA SILVEIRA foi uma renomada médica psiquiatra brasileira e aluna de Carl Gustav Jung. Filha do professor de matemática Faustino Magalhães da Silveira e da pianista Maria Lídia da Silveira, NISE era bastante estudiosa e foi admitida na Faculdade de Medicina.

As contribuições da psiquiatra brasileira NISE DA SILVEIRA (1905 – 1999) à Psiquiatria começaram como resultado de uma punição: por não concordar com métodos agressivos de tratamento como eletrochoques, lobotomia e insulinoterapia, Silveira foi transferida para trabalhar na área de terapia ocupacional do Centro Psiquiátrico de Engenho de Dentro – atividade que era menosprezada pelos médicos da época. NISE rompeu com os padrões de tratamento estabelecidos na psiquiatria. Ao invés de se ater as tarefas tradicionais de terapia ocupacional da época, no entanto, NISE DA SILVEIRA criou ateliês de pintura e modelagem, com o objetivo de fazer com que os pacientes fortalecessem seus vínculos com a realidade através da expressão artística e da criatividade. Tal iniciativa – e outras que vieram depois – revolucionaram a psiquiatria da época e a colocou em contato com Carl G. Jung, que incentivou e orientou seus estudos.

NISE DA SILVEIRA também foi pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais. Por seu trabalho, Silveira recebeu diversas condecorações, títulos e prêmios e foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Expressão Psicopatológica (“Societé Internationale de Psychopathologie de l’Expression”), sediada em Paris.  

NISE DA SILVEIRA – Psiquiatra  SINOPSE E DETALHES (retirados da internet) Ao voltar a trabalhar em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, após sair da prisão, a doutora NISE DA SILVEIRA (Gloria Pires) propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. Seus colegas de trabalho discordam do seu método de tratamento e a isolam, restando a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a um a nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte.

A história desta longa metragem se inicia em 1944, quando a Doutora NISE (Gloria Pires) retorna ao trabalho no Centro Psiquiátrico Nacional Dom Pedro II, em Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. Ela tinha sido presa durante o Estado Novo – na ditadura de Getúlio Vargas – foi denunciada por uma enfermeira por ter livros marxistas. Como NISE não aceitou os “métodos” utilizados para o “tratamento” dos pacientes empregados pelos seus colegas da instituição, o diretor do Centro, Dr. João (Zé Carlos Machado, da série Sessão de Terapia), designou- a para o Setor de Terapia Ocupacional. Ao assumi-lo, a Doutora NISE, literalmente, arregaça as mangas e ajeita o espaço designado para o STO, com ajuda de apenas de dois enfermeiros: Ivone (Roberta Rodrigues), e Lima (Augusto Madeira). Este, contrariado com as novidades trazidas pela doutora.

Com o espaço arrumado, a psiquiatra começa a convidar os pacientes do Centro a entrarem. Desta forma, Fernando (Fabricio Boliveira). Raphael (Bernardo Marinho), Adelina (Simone Mazzer), Lucio (Roney Villela) e mais alguns começam a ser tratados de uma maneira muito diferente da que vinham sendo até então. Aos poucos, algumas pessoas percebem  o que Doutora NISE estava tentando fazer e começam a ajuda- -la, como o médico Almir (Felipe Rocha). Ele é aficionado por artes plásticas e propõe a doutora que os pacientes pudessem pintar. Após começar esse trabalho com eles, Almir acaba convidando para trabalhar no setor a estudante de artes plásticas, Marta (Georgiana Góes). O diretor, Roberto Berliner e Herbert de Perto (2009), escreveram o roteiro de NISE: O CORAÇÃO DA LOUCURA. Mas ele dividiu o trabalho com outras seis pessoas. Mauricio Lissovski que trabalhou anteriormente com Berliner. Maria Camargo tem experiência em roteiros para televisão, Leonardo Rocha e Chris Alcazar são os novatos dessa turma na arte da escrita para o cinema. Esses setes roteiristas conseguiram transformar o inicio da carreira de NISE DA SILVEIRA em uma história inspiradora. Eles transpuseram para a tela grande a atenção, a sensibilidade e o respeito ao ser humano que NISE demonstrava ao clinicar. O diretor do filme poderia ter ficado bem confuso dado à quantidade de escritores e à quantidade de histórias dentro da história do filme que poderiam ser mostrados como exemplos do trabalho fantástico realizado pela doutora. Porém, sem didatismo e sem ser piegas, Berliner e sua turma conseguiram produzir um roteiro coerente e que revela vários aspectos do trabalho da médica.

Por exemplo, a linha de trabalho dela que era baseada no psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875 – 1961), com o qual Nise trocou correspondências sobre o trabalho que ela realizava no Rio de Janeiro. Roberto Berliner, como diretor, soube manejar as ferramentas que possuía nas mãos, mas, principalmente, na cabeça. Percebe-se que os atores estão à vontade, apesar do dificílimo trabalho de representar pessoas com problemas mentais. Um ótimo trabalho de atores foi realizado para que cada um representasse um tipo de paciente com problemas diferentes. Muitas  cenas são poesia pura. O quadro que Berliner pinta com a câmera é tão belo quanto os quadros pintados pelos pacientes da doutora NISE. Voltando a falar dos atores, não tem como não destacar Gloria Pires. Seja fazendo uma comédia, seja fazendo um drama – que pouco fez no cinema – a atriz carioca se destaca pelo cuidado com que a aparece em cena. Glória sabe passar o sentimento que a personagem vive naquele determinado momento: cenas nas quais NISE se mostra frágil com o que têm que enfrentar no trabalho por causa dos colegas, cenas nas quais a personagem precisa ser o esteio dos outros para que tudo não se perca e tantos outros momentos do filme deixam clara a versatilidade do trabalho dela. Os atores que interpretam os pacientes – ou como gostava de chamar a Doutora NISE, clientes – estão todos de parabéns. Sem fazer média, todos eles conseguiram mergulhar fundo na questão do problema mental. Merecem destaque nesse grupo de talentosíssimos atores, Fabricio Boliveira, Simone Mazer, Emydio Jaborandy e Bernardo Marinho. Os quatro mostram diferentes tipos de pacientes e os caminhos percorridos por esses ao longo das atividades realizadas no Setor de Terapia Ocupacional. As transformações pelas quais as personagens passam ficam claríssimas, sem serem caricatas ou inverossímeis. O Augusto Madeira também sabe, como todo bom ator interpretar um papel dramático. Sua personagem é outra que a acaba se transformando por causa da doutora NISE. A história precisava ser absorvida com delicadeza pelos espectadores. Foi isso que eles conseguiram fazer. As pinceladas finais nesse quadro que conta a história da psiquiatra NISE DA SILVEIRA são dadas pelo músico Jaques Morelenbaum. Este compôs uma trilha que consegue acompanhar perfeitamente a história. Sem cair no sentimentalismo  barato ou ficar grandiloquente, a música sensibiliza o público e prendem a atenção nas diferentes histórias dos clientes que estão descobrindo formas novas de viver e de se expressar apesar dos problemas. Expressar personalidades brasileiras que nos emocionaram ou que tenham feito trabalhos que pouquíssimas pessoas conhecem, mas que foram fundamentais para a nossa história e para a história da humanidade: esse pode ser um lindo caminho que o nosso cinema possa percorrer e para o qual nós te temos pessoas com sensibilidade e determinação para isso, como o diretor Roberto Berliner, Fabrício Boliveira e Gloria Pires.

Acho que o filme consegue mostrar muito bem o essencial na vida de NISE DA SILVEIRA seu pioneirismo para impor um novo tipo de trabalho com esquizofrênicos e mostra sua luta precursora para novas formas de lidar com a esquizofrenia. Mostra também que usou a própria punição como instrumento para mudar sua vida e o tratamento dos doentes mentais. Era preciso desconstruir isso e partir para uma nova forma de trabalho. Mandala pintada por Carlos Pertuis – Planetário de Deus.  

Nós, da Terapia Narrativa diríamos que ela conseguiu com seu trabalho fazer uma nova relação com a doença dos clientes;  conseguiu que as pessoas alcançassem  formas de externalizar com a arte, novas formas terapêuticas para não ficarem presas ao diagnóstico. NISE buscou momentos únicos dos clientes quando fez com que eles se afastassem da doença e ao sair da doença com a arte saíssem da fixação na loucura. Consegue com isso dar um espaço para eles criarem algo novo e alguns se tornaram artistas conhecidos em exposições organizadas por Mario Pedrosa, que nesse período era o mais destacado critico de arte. Dessa forma, partindo do problema de sua punição ela consegue mostrar novas possibilidades para ela e para seus clientes. Também conseguiu se impor como mulher num trabalho em que predominava homens. Estou mostrando aqui uma pessoa que teve problemas no trabalho ao não abrir mão da sua crença de que poderia dar novas alternativas para os doentes com os quais trabalhava. Com seu trabalho ela reescreveu sua história e a história dos seus clientes mostrando uma nova forma de trabalhar com doentes esquizofrênicos, e dessa forma revelou uma forma mais humanitária de tratar estes tipos de doença.

OUTRO RESUMO ESCRITO DO FILME Universidade Federal Rural do Semiárido Curso: Bacharelado em Ciências e Tecnologia Disciplina: Sociologia Professor: Davi da Costa Almeida (tirado da Internet).

Aluno: Brendel Freitas Duarte Turma:  Tema: Resumo crítico do filme - O CORAÇÃO DA LOUCURA. O filme retrata a história de uma psiquiatra chamada NISE DA SIQUEIRA.

Toda a história é filmada basicamente dentro de um Centro Psiquiátrico onde ela tem por objetivo tentar encontrar um novo tipo de tratamento para pessoas com esquizofrenia e muitas dessas tentativas eram feitas por métodos muitos violentos e dolorosos a base de descargas de corrente elétrica nos pacientes.

Partindo dessa ideia de tratamento é assim que surge a psiquiatra NISE, trazendo um novo método inovador e buscando a melhora de seus pacientes através de conversas, convívio com animais e expressivamente através da arte, tanto realizando pinturas com os pacientes quanto realizando esculturas de barro. Ao chegar ao Centro Psiquiátrico NISE se recusou a aderir aos métodos utilizados até então com os pacientes e foi aí que ela foi remanejada para ser responsável pela área de terapia ocupacional, uma área completamente abandonada dentro da instituição e sem o mínimo de higiene para seus pacientes que logo, logo ela começou a os chamar de seus clientes, pois eles estavam ali à procura de seus serviços. Depois que NISE conheceu seu novo local de trabalho ela começou a organizar todo o local para dar o mínimo de conforto para seus clientes. Logo no início foi muito difícil, poucas pessoas apareciam para ser atendidas e muitas vezes por não conhecerem o local e terem medo de ser ali um lugar para novas torturas e experiências violentas. Porém, aos poucos novos clientes foram chegando e observando o local e começaram a perceber que ali era um lugar que eles poderiam ficar à vontade e conviver em sociedade com outras pessoas livremente sem problema algum.

No início os trabalhos foram muitos difíceis, pois os próprios funcionários ali presentes não entendiam como o novo tratamento funcionava e de forma recorrente muitas vezes agrediam os clientes por acharem que só se resolvia as coisas com eles na base da ignorância, mais com o passar do tempo todos foram entendendo o proposito ali exposto e tudo começou a caminhar nos conformes. A partir desse convívio mais próximo dos funcionários com os clientes, um desses funcionários chamado Almir teve uma brilhante ideia de transformar o espaço reservado para o convívio entre todos em um grande ateliê de pinturas onde cada paciente poderia se expressar através da arte e mostrar toda sua evolução no decorrer do tempo. Logo em seguida Almir conseguiu vários materiais como tintas, pinceis e telas para que pudessem assim começar as atividades. No início os clientes ali presentes acharam muito estranho o que estava acontecendo e não sabiam lidar com a situação, mais com o empenho de todos os funcionários logo todos começaram a pintar.

No começo foi muito difícil, pois os clientes ali presentes não tinham coordenação motora nem ideias do que fazer, mais com o passar dos dias começaram a ter resultados expressivos e assim se sentiram cada vez mais livres a viver em sociedade junto com os demais. Com a evidente melhora de seus clientes NISE decide levar seus pacientes para um passeio no campo, para que todos possam se sentir mais livre e sair um pouco da rotina do hospital. Com essas novas experiências na natureza muitos clientes começaram a se expressar cada vez mais através da arte e seus quadros foram colocados em uma ordem cronológica que dava a entender que eles estavam tentando se comunicar, mostrando assim, que o tratamento estava dando certo e que muitas das pessoas ali expostas tinham um mínimo de lucidez para evoluir cada dia mais e assim 76 poder voltar a conviver no mundo fora do hospital. Em seguida foi realizado uma grande exposição com as obras de todos os pacientes e essa exposição conta com a presença de muitos críticos de arte e todos ficaram muito admirados com as obras produzidas por aquelas pessoas que até então eram consideradas casos perdidos e que naquele momento estavam mostrando mais uma etapa de suas evoluções que era a presença no meio dos críticos e da sociedade como artistas normais sem qualquer tipo de agressividade ou demonstração que chamasse mais atenção. Em outra parte do tratamento os clientes passam a cuidar de animais, mais precisamente de cachorros, mostrando assim que suas evoluções eram constantes e que eles já começavam a ter responsabilidade ainda maior do que só fazer pinturas em telas.

Mas como em toda empresa existe deslealdade e muitos começaram a perceber que as terapias estavam realmente surgindo efeito e os outros médicos que trabalhavam no local com uma linha de pesquisa completamente diferente, com métodos através de torturas, deram uma ordem para matar todos os animais. Com isso, os pacientes ficaram muito abalados e muitos demonstraram novamente sintomas de agressividade, demonstrando uma falha no tratamento através das terapias funcionais.

Mais adiante quando tudo voltou ao normal foi realizada uma grande festa entre todos os pacientes e funcionários mostrando mais uma vez que a cada dia que o processo ia seguindo os pacientes estavam cada vez mais demonstrando toda sua sociabilidade e interação com todos.

Por fim, foi realizada mais uma exposição de arte, aberta ao público externo e mostrando a evolução de todos os pacientes ali presentes, dando a impressão quecom o prosseguimento do tratamento os clientes iam ficando cada vez mais socializados e a aptos a terem uma vida em sociedade com todos.

QUAIS PENSAMENTOS REFLEXIVOS NOS VEM AO PONDERARMOS SOBRE A VIDA DE NISE DA SILVEIRA?

VEJAMOS OUTRO ÂNGULO DA VIDA DE NISE DA SILVEIRA MOSTRADA EM OUTRO FILME. FILME: OLHAR DE NISE •

Data de lançamento 8 de dezembro de 2016 (1h 30min) • Direção: Jorge Oliveira. • Elenco: Rafael Cardoso, Mariana Terra. • Gênero: Documentário LIVRE • Nacionalidade: Brasil

SINOPSE E DETALHES NISE DA SILVEIRA foi uma das primeiras mulheres brasileiras a se formar em medicina, Revolucionou a psiquiatria no país usando tratamentos humanitários para doenças mentais ao invés dos procedimentos violentos que eram o padrão para a época. Sua história inclui 78 uma acusação de comunismo no governo Vargas que a levou à prisão, fez uma agitação nos meios culturais cariocas ao criar ateliês artísticos em um hospital psiquiátrico, dentre outros feitos marcantes. Para pontuar o retrato dessa história, o filme mostra a última entrevista da psiquiatra alagoana. Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos na filmagem de: “OLHAR DE NISE”.

Detalhe: O filme foi rodado no Rio de Janeiro, em Alagoas e na Alemanha. Além das reconstituições de cenas, o longa metragem mostra uma entrevista inédita de 1997, dois antes de NISE DA SILVEIRA morrer. Nela, a psiquiatra conta toda a trajetória de sua vida.

Ala recriada: Uma ala do Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, onde pacientes eram submetidos a choques elétricos, foi recriada pela produção do filme. O filme participou da Mostra Doc-FAM e 31º Festival de Cinema de Trieste. Neste ultimo, ganhou o prêmio de melhor filme de Público e o prêmio especial do Júri Oficial, que considerou o filme “uma obra de arte”.

Como foi visto o problema de NISE DA SILVEIRA estava no seu trabalho, quando seus colegas queriam ficar presos ao sistema estabelecido com choques elétricos, presos aos preconceitos e outras formas estereotipadas de lidar com as doenças mentais.

NISE DA SILVEIRA não concordava com esses métodos e foi afastada das suas funções e encaminhada para a Unidade de Terapia Ocupacional. Lá demonstrou que os doentes mentais podiam desenvolver outras atividades, provou que existia alternativas, ampliou outros instrumentos de trabalho e diversificou formas alternativas de trabalhar com seus clientes. Seguia a abordagem da Psicologia Analítica de JUNG relacionou o intrapsíquico com os preconceitos socioculturais e fez disso um comprovante de que havia alternativas para salvar do ostracismo seres humanos com problemas mentais, considerados 79 incapazes. Ela fez isso convicta de que era o melhor a fazer. Fica para mim, a reflexão de que não importa o referencial teórico que ela seguia, pois o que realmente interessa é que ela viu com olhos novos a situação, acreditou que os clientes eram seres humanos com inúmeras possibilidades e na visão da T. Narrativa fez com que eles externalizassem, isto é, mudassem sua relação com o problema, tivessem uma nova relação com o problema, assim viveram momentos extraordinários com a arte, reconstruíram suas vidas e viveram novas histórias alternativas, inclusive alguns foram reconhecidos como grandes artistas.

NISE DA SILVEIRA desconstruiu uma forma convencional, rígida e sofrida de trabalhar com doentes mentais, reconstruiu de acordo com suas crenças uma forma inovadora de trabalhar com esses doentes mentais e consolidou uma nova posição. Saiu da punição para uma nova abertura e teve êxito. Salvou vidas do ostracismo, do preconceito com pessoas que eram consideradas incapazes e os fez emergirem como seres humanos. No trabalho clínico com os clientes só podemos sair do problema saturado usando também as crenças das pessoas na procura de um novo caminho. Não é o que eu acho que é melhor para o cliente, mas buscar a partir das crenças pessoais deles uma nova relação com o problema, Foi isso que NISE DA SIVEIRA fez. Ela acreditava que o caminho não era o caminho antigo, mas só podia mudar porque acreditava nisso e assim procurou um novo caminho. Não é isso que precisamos fazer com nossos clientes? Procurar com eles novos caminhos, se apoiando naquilo que acreditam?

PARA NAVEGAR CONTRA A CORRENTE SÃO NECESSÁRIAS CONDIÇÕES RARAS: ESPIRITO DE AVENTURA, CORAGEM, PERSEVERANÇA E PAIXÃO. (NISE DA SILVEIRA)