NARRATIVAS DE VIDAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

CAPÍTULO 4 – A ANGÚSTIA E A REJEIÇÃO SOCIAL Quando A Doença Domina A Vida Da Pessoa

Nesse contexto quero focalizar agora a vida de um grande artista VINCENT VAN GOGH. Existem inúmeros filmes sobre Van Gogh. Vamos então examinar a vida de VINCENT VAN GOGH como foi mostrada em diversos filmes que focam em sua vida.

Eis a sinopse de alguns filmes sobre sua vida extraídas da internet. 1- ‘Sede de Viver’ (1956), direção: Vincent Minnelli. Já em 1956 o livro ‘Sede de Viver’, do romancista americano Irving Stone, ganhou uma adaptação cinematográfica de mesmo nome, com Kirk Douglas no papel de Van Gogh. O ator inclusive chegou a concorrer ao Oscar de Melhor Ator por esse papel, mas não ganhou. Dessa lista, talvez seja o filme mais clássico sobre o artista. Foi a primeira grande produção sobre ele, totalmente em cores.

2 - ‘Vincent & Theo’ (1990), direção: Robert Altman. Nos anos 1990 o interesse pelo artista parece ter crescido e várias produções surgiram desde então. Em 1990, ano do centenário de morte do artista, foi lançado o filme ‘Vincent & Theo’, de Robert Altman, focado na relação de Van Gogh com seu irmão mais novo, Theo. O filme vai além da narrativa biográfica pura e simples, concentrando-se em um aspecto específico da vida de Van Gogh. SINOPSE - VINCENT & THEO: O filme mostra a intensa relação de amor e ódio entre o pintor holandês Vincent Van Gogh e seu irmão mais novo, Theo, até o suicídio do artista. Os dois foram vistos como um só coração e duas mentes. Seis meses depois do suicídio de Vincent, Theo faleceu. O filme mostra a solidão, a euforia e a poesia de Van Gogh, pintada em cores fortes e intensas, assim como suas relações afetivas e sua obra. Com belíssima fotografia do sul da França, Bélgica e Holanda, este filme é uma pintura íntima de um artista de temperamento instável e tempestuoso, mas também, generoso e terno e para quem a arte era mais preciosa que sua própria vida.

3 - ‘Van Gogh’ (1991), direção: Maurice Pialat. O mesmo acontece em ‘Van Gogh’ (1991), de Maurice Pialat, que se concentrou nos últimos dias do artista, internado voluntariamente em um asilo em Saint-Remy, na França. Dessa vez, temos acesso à relação do artista com seu médico, Dr. Gachet, imortalizado em uma de suas pinturas. Nesse filme o gênio intempestivo dá lugar ao homem comum e de psique frágil, aproximando Van Gogh da realidade.

4 - Com Amor Van Gogh: Pintando Com Palavras’ (2010), direção: Dorota Kobiela e Hugh Welchman. Aqui vamos focar no problema dominante da vida de Van Gogh. Qual teria sido o problema dominante na vida de Van Gogh? A esquizofrenia? Ou o preconceito? Quais as ações desse filme do ponto de vista de Van Gogh ao enfrentar seu problema? De que forma Van Gogh enfrentou o problema? Quem o ajudou na sua ação? Seu irmão? Como na vida, o filme é um retrato sobre a vida de Van Gogh, composta de ações, que giram ou não, ao redor das situações problemáticas que desorganizaram sua vida. O filme mostra como Van Gogh com seu problema dominante nos convida a discutir o enredo em que se situa a dificuldade, sua adaptação ao sócio cultural e ao que queria a família. A sequência dos eventos expressa como ambos, ele e o problema foram influenciados pelo tempo e preconceitos do sócio cultural. Quem influencia mais, o estado psíquico ou o sócio cultural? Os dois se entrelaçam nesse caso, um influencia o outro. Van Gogh debateu seu problema a exaustão nas 47 cartas para seu irmão, que o sustentava, mas não superou seu temperamento instável e tempestuoso, pois não conseguia se adaptar.

Aliás, Van Gogh com a esquizofrenia procurou superar o problema, quis superar sua angustia de não se adequar e se relacionar de forma diferente com a época em que viveu e com sua família. Ele mesmo diz: “fiz tudo que podia para agradar eles”. A única forma que encontrou para se relacionar de forma diferente com sua angustia foi usando suas pinturas, isto é, externalizou com suas obras, e assim criou uma nova relação com a angústia. Queria comover as pessoas com sua arte. Esses também foram os momentos extraordinários de sua vida, isto é, os únicos momentos em que entrou na pintura e esqueceu sua angustia. Ele girou em torno do problema, o sócio cultural que o rejeitava devido a sua esquizofrenia e sucumbiu. FOI DOMINADO PELO PROBLEMA.

Isso mostra também que ele não conseguia separar a visão que tinha dele mesmo e do problema, além do preconceito sociocultural predominante, acolheu o problema e terminou por se suicidar. Sua morte trágica é muito conhecida, mas permanece um mistério como e por que ele se suicidou. Com Amor – Van Gogh é o último filme da lista, é uma espécie de doc-drama, produzido pela BBC e com roteiro baseado inteiramente nas cartas trocadas entre Van Gogh e seu irmão Theo, entre outros familiares. Grande parte do que se sabe sobre o temperamento e as frustrações do artista só estão acessíveis por conta dessas cartas, isto é, através do seu depoimento onde conta muito sobre sua maneira de enxergar o mundo. Talvez seja uma das produções mais recentes sobre o artista, se levarmos em consideração também os gêneros televisivos documentais e ficcionais. Com Amor – Van Gogh foi produzido fundamentado apenas nas pinturas a óleo de Van Gogh e tiveram como base terem sido animadas com as obras do próprio pintor. Suas pinturas pulam da tela contando sua história. O filme é muito bom.

Por que escolhi esses dois filmes? Por que estes filmes estão abalizados pelas cartas que o próprio artista escreveu e enviou para seu irmão e também na relação dos dois. Ele escreveu nas cartas a sua história.

 COM AMOR – VAN GOGH - narra à história de Van Gogh através de sua pintura. Informações tiradas da internet sobre: Com Amor, Van Gogh. Diretor: Dorota Kobiela e Hugh Welchman Elenco: Douglas Booth, Saoirse Ronan, Aidan Turner País de origem: Reino Unido, Polônia. Ano de produção: 2017 – 94 min. Bom Com Amor, Van Gogh.