NARRATIVAS DE VIDAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

A DOENÇA PSIQUIÁTRICA

CAPITULO 3

A DOENÇA PSIQUIÁTRICA - Filme - UMA MENTE BRILHANTE – Esse é um filme sobre a vida de JOHN FORBES NASH - Matemático Americano JOHN FORBES NASH JR. foi um matemático norte-americano que trabalhou com a teoria dos jogos, geometria diferencial e equações diferenciais parciais, servindo como Matemático Sénior de Investigação na Universidade de Princeton. Compartilhou o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1994. (Wikipédia).

“UMA MENTE BRILHANTE" baseia-se na biografia de John Nash escrita por Sylvia Nasar, e começa com a chegada do jovem NASH à Universidade de Princenton, em 1947. Isolado de todos e tudo, NASH recusa-se a participar das atividades básicas da Universidade, tais como assistir às aulas, conviver com os colegas, etc. O seu objetivo era a procura de uma "Ideia original".

• Viveu de 13 de junho de 1928 - 23 de maio de 2015 (idade 86)

• Altura: 1,85 m • Cônjuge: Alicia Nash (c. 2001 - 2015)

• Alicia Nash (c. 1957 - 1963) • Filhos: John Charles Martin Nash (Filho) • John David Stier (Filho)

• Prêmios: Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel (1994) • Prêmio Teoria John Von Neumann (1978)

• Filme relacionado: UMA MENTE BRILHANTE John NASH foi até agora a única pessoa a ganhar um Nobel e um Abel (um "Nobel da matemática")  

SINOPSE DO FILME – UMA MENTE BRILHANTE UMA MENTE BRILHANTE é um filme dos USA de 2001, do gênero drama biográfico, dirigido por Ron Howard, sobre a vida do matemático JOHN FORBES NASH.

O roteiro do filme é uma adaptação feita por Akiva Goldsman do livro homônimo de Sylvia Nasar de 1988 (Wikipédia) • Data de lançamento: 4 de janeiro de 2002 (Estados Unidos) •

Diretor: Ron Howard • Duração: 2002 • 2hora 15min • Biografia - Drama

Principais atores: RUSSEL CROWE como JOHN NASH e JENNIFER CONNELY como ALICIA NASH

Dados Biográficos no filme: UMA MENTE BRILHANTE é um drama profundamente humano, inspirado nos eventos da vida de um gênio de verdade - o matemático JOHN FORBES NASH, JR. Nascido numa família de classe média numa pequena cidade de Bluefield, na Virgínia Ocidental, ele fascinou o mundo intelectual há mais de 50 anos com uma surpreendente descoberta. Seu trabalho pioneiro sobre a "teoria do jogo" tornou-o o astro da "Nova Matemática" na década de 50 - mas sua ascensão mudou de rumo drasticamente quando seu brilhantismo intuitivo foi interrompido pela esquizofrenia. Filho de um engenheiro elétrico e de uma professora, NASH nasceu em 1928 em Bluefield, na Virgínia Ocidental, e rapidamente se destacou por sua capacidade intelectual, obtendo bolsas de estudos para o Carnegie Institute of Technology de Pittsburgh e depois para Princeton.

Ali publicou, com apenas 21 anos, sua conhecida tese, que fez sua fama disparar entre a comunidade acadêmica e o levou ao prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à companhia de tecnologia militar RANDE. Foi incentivado pelo colega Charles a procurar a “sua ideia original" que ele tanto queria fora das quatro paredes do seu quarto. NASH inspira-se em fontes estranhas, como o movimento dos pombos no parque, os movimentos de uma equipe de futebol e até do roubo de uma carteira. Nenhum destes três estudos o ajudou. Será numa conversa de bar que NASH vai encontrar inspiração para sua "Ideia Original", uma teoria revolucionária com aplicação na economia moderna que contestava 150 anos do reinado de Adam Smith na área. O reconhecimento pelo seu trabalho acontece em 1953, após NASH ter realizado alguns trabalhos no Pentágono ao decifrar códigos russos.

Ao mesmo tempo, NASH é Professor. Conhece uma aluna, Alicia, com a qual viria a casar e ter um filho. Tudo parecia correr bem com o casal, até que NASH começa a ser perseguido por desconhecidos. NASH não resiste (1959) à grande pressão e começa a ficar paranóico. O resto do filme segue uma trajetória repleta de desafios, onde NASH luta, não só contra a esquizofrenia, mas também contra todos aqueles que não acreditavam na sua recuperação. O filme termina com o reconhecimento pelo qual Nash tanto ansiava: o Prémio Nobel de Economia em 1994, por sua contribuição na Teoria dos Jogos. O matemático John NASH estava em Oslo para receber das mãos do rei da Noruega, Harald V, o ABEL, prêmio de 6 milhões de NOK (cerca de US$ 750 mil), que dividiu com Louis Nirenberg quando um acidente de carro matou NASH e sua mulher, ALICIA, isso aconteceu num sábado (dia 23/05/2015) quando os dois voltavam de táxi do aeroporto para casa.

JOHN NASH ganhou o Abel por suas contribuições em matemática pura, principalmente em geometria e equações diferenciais parciais. Os matemáticos afirmam que seu trabalho na área é mais espetacular do que o que ele fez na Teoria dos Jogos, que lhe rendeu reconhecimento internacional e o Nobel de Economia em 1994 (não existe Nobel de Matemática). Sua tese de doutorado, de 1950, com 27 páginas foram consideradas um dos textos fundamentais da Teoria dos Jogos. É possível ler no site de Princeton o artigo: Non-cooperative games (Jogos não cooperativos). Nele, está o conceito conhecido como Equilíbrio de NASH.

JOHN NASH casou, divorciou e casou novamente com a mesma mulher. John Nash e a física Alicia Nash de origem salvadorenha se casaram em 1957. Dois anos depois, ele foi internado pela primeira vez, sofrendo com paranoias, com mirabolantes histórias de perseguição e sua saúde mental começou a deteriorar. Eram sintomas da esquizofrenia. Alicia estava grávida do primeiro filho do casal (ele já tivera um filho antes, em 1953, de um relacionamento com uma enfermeira). Em 1963, divorciaram-se, mas ela continuou o ajudando. Em 1970, mesmo separados, Alicia o aceitou em sua casa, para cuidar dele. Depois que NASH conseguiu controlar a doença, casou-se novamente em 2001.

Quando ganhou o Nobel de Economia, em 1994, John Nash estava sem publicar artigos científicos desde 1958, ele contou sua vida para sua biógrafa, Sylvia Nasar, em artigo no New York Times, que na época do anúncio do prêmio, em 1998 ampliou para o livro "Uma Mente Brilhante", que inspirou o filme de mesmo nome.

Paralelamente ao reconhecimento acadêmico e profissional as turbulências começavam em sua vida pessoal, segundo outra biografia, ele teve várias relações homossexuais e uma detenção por exposição indecente.

Diagnosticado com esquizofrenia em 1959, o matemático passou longas temporadas hospitalizado, foi tratado com eletrochoque, fugiu por um tempo para a Europa e perdeu anos andando pelos corredores de Princeton consumido pela paranoia e por teorias da conspiração. Em 1963 ele se divorciou de Alicia que, no entanto, sempre se manteve ao seu lado. Eles voltaram a viver juntos em 1970 na casa dela, onde pouco a pouco NASH começou a superar a doença. NASH conseguiu voltar a dar aulas e em 1994 recebeu o Nobel de Economia pelas descobertas que fez décadas antes. Seus problemas mentais o haviam impedido de exercer cargos acadêmicos desde 1959, quando deixou o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), na sigla em inglês, onde ingressara em 1951. NASH chegou a se mudar para a Europa, afirmando que era perseguido. Em 1960, retornou para Princeton. Foi internado diversas vezes por conta da esquizofrenia. Nos anos 1970, foi deixando de tomar medicamentos e descreveu assim, em 1996, para o amigo Harold W. Kuhn, professor emérito de matemática em Princeton, sua "cura". "LIVREI-ME DO PENSAMENTO IRRACIONAL, POR FIM, SEM REMÉDIOS, QUE NÃO AQUELES DE MUDANÇAS HORMONAIS DO ENVELHECIMENTO".

Com uma mente privilegiada, mas golpeada durante anos pela esquizofrenia, John NASH ficará na história como um dos matemáticos mais brilhantes do século XX, embora para o grande público seja para sempre o atormentado inspirador de "Uma Mente Brilhante", onde ficou conhecido por ter tido uma vida marcada pelas doenças mentais, e que o diretor Ron Howard levou ao cinema em 2001 sob o título de "Uma Mente Brilhante". No entanto, a notoriedade do filme também alimentou acusações contra Nash, que se viu obrigado a negar em entrevista ser antissemita, e a atribuir algumas das "estranhas ideias" que teve durante sua vida à doença. Nos últimos anos, o casal dedicou boa parte de seu tempo a chamar a atenção sobre as doenças mentais, que também vitimou seu filho, John. Ele também seguiu a carreira de seu pai como matemático.

Já sabemos como uma doença desorganiza, desconstrói a pessoa e a família. NASH demonstrou o preconceito contra a esquizofrenia, ficou preso por algum tempo ao diagnóstico, como disse: simplesmente decidiu voltar a racionalidade, reconstruiu sua vida não deixando que a doença o impedisse de buscar a ideia original que tanto procurava e consolidou sua posição pesquisando a ciência que tanto gostava.

Mais uma vez quero lembrar o objetivo principal da Terapia Narrativa é desconstruir a relação das pessoas com o problema, reconstruir a vida buscando histórias alternativas e consolidar a vivencia com uma nova história. Isso JOHN NASH também fez em sua vida, mudou a relação com seu problema, com seu diagnóstico (a esquizofrenia) e construiu uma história alternativa para sua própria biografia e o fez criando uma nova vida para si mesmo.

Assim, de forma diferente descrevi dois grandes cientistas que tiveram diagnósticos de doenças limitantes e cheias de preconceitos: HAWKING no corpo com a ELA e NASH na psiquiatria com a esquizofrenia. Enfim, enquanto JOHN NASH controlou o diagnostico de uma doença psíquica, STEPHEN HAWCKING dominou seu diagnostico, no corpo com sua doença física. Ambos demostraram que o PROBLEMA (ELA e a Esquizofrenia) ERA O PROBLEMA, ELES NÃO ERAM O PROBLEMA, e isso foi demonstrado tanto no corpo como no psíquico. Privilegiaram a Ciência ao invés de focarem na doença. As doenças estavam lá, mas os dois se relacionaram com o seus diagnósticos externalizando, isto é, criando uma nova relação com as limitações e buscaram novas possiblidades, se relacionaram com a doença focando no trabalho que lhes interessava, ao invés de ficarem presos fixamente na doença.

Cada um focou no interesse principal de suas vidas – a ciência – e com isso controlaram as doenças, sobreviveram e foram além do diagnóstico e dos preconceitos. O que se destaca nas histórias de STEPHEN HAWKING E JOHN NASH é a não fixação nas suas doenças: física e mental. Aquilo que aparentemente poderia ser o foco dos problemas se transformou com a ciência num investimento para uma nova vida. Fizeram investimentos no trabalho com novos modelos de vida e são excelentes exemplos de pessoas que não ficaram presas aos seus respectivos diagnósticos e viveram suas vidas da melhor forma possível, pois eles não eram a doença e saíram de suas limitações crescendo como seres humanos. Foram sábios principalmente porque souberam fazer isso. JOHN NASH AFIRMAVA QUE CONTROLOU A ESQUIZOFRENIA SIMPLESMENTE DECIDINDO VOLTAR À RACIONALIDADE.

Quais as reflexões que podemos fazer sobre a história de vida de John Nash?