COMENTANDO FILMES BIOGRAFICOS COM O APOIO TEORICO DA TERAPIA NARRATIVA

 

INTRODUÇÃO

 

O cinema sempre esteve presente na minha vida. Na minha juventude na cidade em que nasci só tínhamos três cinemas, o que fazia com que fosse ao cinema quase todos os dias porque os filmes mudavam aos sábados e quartas. Eu e uma prima minha guardávamos o dinheiro da merenda, quando tínhamos, para ir ao cinema. A minha vida foi permeada pelos filmes e astros de Hollywood, filmes franceses e italianos e assim me aventurei pelo mundo afora sob a influência do cinema e vim parar em Salvador. Aqui, sempre vinculada às artes, qualquer tipo de arte, terminei por frequentar durante alguns anos grupos ligados ao cinema. Na inquietude da vida fiz Faculdade de Psicologia e trabalhei desde então nessa área.

 

Assim li A Psicanalise e Freud no cinema, Lacan vai ao cinema, Jung & filmes mostrando o link entre os conceitos e ideias deles com alguns filmes. Essa foi a inspiração para fazer a leitura de alguns filmes biográficos dentro da abordagem da Terapia Narrativa de Michael White e David Epston. Por que não?

 

A especificidade dos conceitos teóricos da abordagem da Terapia Narrativa exemplificadas nos filmes biográficos é o foco deste livro. Aqui estão algumas semelhanças e também diferenças do cinema com a Terapia Narrativa. O cinema é um exemplo muito bom das narrativas de vidas que podem ser vistas de infindáveis ângulos. Os filmes utilizam narrativas de histórias de vidas imaginárias ou reais. Quantos filmes podem ser vistos sobre um mesmo tema? Já pensaram se o cinema ficasse preso a só um aspecto da vida? Com o filme cada diretor traz o testemunho de sua versão da vida.

 

A Terapia Narrativa, o próprio nome já diz, inclui e também está conectada as narrativas das vidas das pessoas com os problemas que trazem. A Terapia Narrativa propõe uma visão multíplice do ser humano com todas as possibilidades que tem cada indivíduo, casal, família ou comunidades. Precisamos buscar diferentes aspectos da vida de uma pessoa para não ficarmos presos a uma só história saturada. Cada ser humano traz em si partes de um todo ao mesmo tempo em que traz consigo esse todo. Assim, cada pessoa pode trazer uma forma diferente de narrar um problema comum a tantas outras pessoas. A Terapia Narrativa propõe uma visão múltipla e aberta do ser humano.

O cinema como qualquer forma de arte permite ver imagens em diversos níveis, oferece um significado e espaço para que se testemunhem diversos retratos das múltiplas narrativas de vidas, em seus aspectos socioculturais, imaginários e reais. O cinema se tornou um meio de engajamento com normas estabelecidas ou não pelo sócio cultural. Numa sala de cinema somos testemunhas silenciosas das histórias narradas.

 

A T. Narrativa escuta no contexto mais protegido das sessões de terapia e focaliza as narrativas no presente com as histórias vivenciadas individualmente, com a família ou de forma coletiva. O que a T. Narrativa quer e qualquer ser humano deseja quando vem até nós terapeutas é uma nova atitude de engajamento com a vida.

Formas populares do cinema comercial podem oferecer novas visões, novas perspectivas. Os filmes fazem recortes de determinado assunto, recortes da vida de uma pessoa, mas é apenas um recorte da vida que focaliza naquilo que o diretor quer mostrar. O cinema é uma experiência coletiva que envolve uma resposta individual comparável a uma experiência compartilhada em comum com o grande publico. A vida real das grandes figuras de destaque no mundo, quando mostradas no cinema ficam mais conhecidas do grande publico. Não quero interpretar, comentar, nem pesquisar a vida das pessoas nos filmes como um todo, até porque isso é impossível. O que quero é destacar aspectos em que possa ilustrar os pressupostos da Terapia Narrativa.

Não vou escrever, nem analisar a parte técnica dos filmes, nem fazer uma interpretação do que está sendo mostrado, pretendo apenas descrever a conexão das narrativas das vidas dos personagens cine biografados com a abordagem da Terapia Narrativa.

A imagem no cinema e na vida pode tornar-se visível como se estivéssemos:

 Numa viagem de avião, sentada, vendo as coisas de cima, através das nuvens.

 Numa viagem de trem subterrânea, sem paisagem, tudo passando rápido.

 Numa viagem de ônibus, vendo a vida através da janela.

 Ou a pé, com o pé no chão, vivendo cada passo na vida nossa de cada dia.

 

O ser humano tem seus próprios mecanismos de auto regulação. A razão e a loucura são construídas com os mesmos elementos, o que muda, o que as diferencia está na forma de captá-las em nossa vida. Quando uma pessoa vem para uma terapia já chega contando um problema, por exemplo, já vem com um diagnóstico de depressão ou esquizofrenia, etc., portanto aí já se iniciou uma ação para sair dessa posição fixa, com uma pergunta: Sou isso mesmo? Não quero ser isso. Porque se aceitar ser o problema, vai girar ao redor de um circulo vicioso e não sai.

É desafiador exemplificar os conceitos da prática da Terapia Narrativa através da visão de algumas películas, principalmente filmes de dramas biográficos, de pessoas reais escolhidos por mim para demonstrar os conceitos que apoiam a T. Narrativa.

 

Vi muitos filmes como mera espectadora, agora além de espectadora pretendo escrever minhas impressões do que vi, de acordo com algo em que acredito – a Terapia Narrativa – e que vivencio diariamente na vida, no meu trabalho clínico, na supervisão, com os colegas com os quais compartilho os cursos que promovo em Salvador ou com aqueles que se interessam por esta abordagem.

O cinema comercial como um todo sustentou imagens, estereotipou sonhos e decepções, por exemplo, quando mostra o american way of life, a realeza inglesa, o charme francês, quando nos faz companheiros de Charles Chaplin, quando mostra o realismo italiano, só para citar as principais imagens que diariamente o cinema nos oferece, mesmo que algumas de forma romanceada. O cinema tem grande influencia na exterioridade do sócio cultural como um todo com as representações que coloca em nosso imaginário com imagens fixas e estereotipadas das mães, das mulheres, dos homens, do negro, dos gays, etc.

Para evitar a fértil interpretação dos diretores, vou me pautar mais na configuração cine biográfica com fatos reais como se fossem estudos de casos de pessoas que deram grandes contribuições para o mundo e para a vida. Levante a mão quem alguma vez não ficou entusiasmado com a grande indústria do cinema.

Sendo o cinema uma narrativa especial, o significado da história nos filmes é oferecido pela própria experiência e interesse da visão do diretor. O sentido da história é oferecido pela própria curiosidade ou vivência do diretor e equipe.

Os filmes focam a atenção nos múltiplos aspectos de um mesmo fato que até mesmo já podem ter sido mostrados por outros diretores. São os diversos modos de dizer as mesmas coisas de formas diferentes. Nos filmes como na vida são oferecidas inúmeras possibilidades de ver as mesmas coisas de forma diferentes.

Os terapeutas narrativos focam na vida das pessoas com suas múltiplas alternativas frente à determinada situação ou problema que também já foram vividos por outras pessoas de forma diferente.

O enredo de um filme é algo visto de fora. Quando se vê um filme pode-se ficar emocionado com a situação mostrada, a pessoa pode até ficar identificada com o que é mostrado no filma, mas sabe que a história não faz parte de sua própria experiência, vem de fora, repercute nela, mas não foi vivido por ela, é apenas outra visão da vida.

O meu objetivo é ilustrar por meio de filmes biográficos os conceitos da Terapia Narrativa de forma breve para que possam ser mais bem compreendidos como exemplos reais. Elucido com a vida de pessoas famosas públicas para uma melhor compreensão dos conceitos.

Escolhi filmes biográficos porque discorrem sobre a vida de pessoas conhecidas do grande público o que pode tornar visível os principais conceitos da Terapia Narrativa. Isso não quer dizer que só os famosos conseguem superar problemas, é bem o contrario, todos nós somos capazes de abrir novas possibilidades em nossas vidas, temos uma sabedoria própria para lidar com problemas, apenas muitas vezes não a usamos.

Quis também mostrar uma forma de entrelaçar a arte de fazer filmes com outros aspectos da vida, como por exemplo, as crenças socioculturais nas quais se fundamenta a Terapia Narrativa.

Aqui estão os principais conceitos teóricos que pretendo abordar exemplificando com os filmes:

Nomear problemas – nomear histórias nos filmes e na vida em geral

 

A pessoa não é o problema – O problema é o problema – Filme: A Teoria de Tudo e Uma Mente Brilhante, vidas de Stephen Hawking e John Nash. Destaco também o aspecto sócio cultural presente em suas vidas.

 

Externalização – Filmes: Vincent &Theo; Com Amor, Van Gogh. De forma geral este conceito também é mostrado em outros filmes.

 

Momentos Extraordinários-sinalizados nos filmes vistos acima e de forma geral na vida de quase todos.

 

Histórias Alternativas – sinalizadas em quase todos os filmes em especial no filme sobre Nise da Silveira.

 

Ausente, mas implícito. Filme: Os Amantes Do Café Flore - Um Novo Modelo de Relacionamento - O Casal Simone de Beauvoir e Jean Paul Sartre

 

Panoramas de Ação e de Identidade –nas biografias filmadas sobre todos os personagens temos esses panoramas, mas destaco como foram levados para o coletivo principalmente na vida de Martin Luther King, Gandhi e Mandela e Madre Thereza de Calcutá.

 

Testemunhas Externas – filmes sobre Martin Luther King, Gandhi e Mandela. Madre Thereza de Calcutá. Além dos milhares de pessoas que estiveram presentes nas passeatas, greves e viveram os problemas vividos por eles. Nós também somos Testemunhas Externas dos seus sonhos.

 

Reautoria – em todos os exemplos houve uma Reautoria na vida de todos. Todos desenvolveram e recriaram suas próprias vidas. O processo das vidas biografadas, por exemplo, o panorama de ação e de identidade é visto na própria biografia da pessoa, quando seu pensamento está ligado à sua identidade e quando suas ações demonstram o que cada um quer e quais são suas histórias preferidas.

 

Todos os conceitos acima podem se tornar visíveis no processo das vidas de qualquer um de nós, apenas destaquei neste estudo aquele que mais se sobressaí no estudo biográfico filmado. 

 

CAPÍTULON 1

 

A Terapia Narrativa foi desenvolvida como enfoque terapêutico a partir dos anos 80 através da cooperação entre MICHAEL WHITE E DAVID EPSTON, personalidades brilhantes que desenvolveram a base do que hoje conhecemos como Terapia Narrativa. WHITE (1994) acentua no atendimento a dominação cultural e desenvolve um trabalho terapêutico inserindo preconceitos e assuntos sócios culturais que de formas diferentes estão ligados à influência da psicopatologia. As pessoas procuram ajuda terapêutica porque a maioria das vezes as narrativas socialmente dominantes, organizadas a partir de verdades tomadas como adquiridas as impedem de viver suas narrativas preferidas. Michael White e David Epston desconstroem uma velha forma de lidar com as patologias e incluem na terapia as influencias socioculturais que também paralisam as pessoas, os preconceitos que são colados com as patologias mentais. Reconstroem as velhas ideias terapêuticas de que só o físico ou psíquico são doenças e os dois demonstram que era e foi possível lidar de forma nova com essas conjunturas. Assim consolidaram novas aberturas para o que hoje chamamos Terapia Narrativa.

 

As três etapas desconstrução do problema que é trazido, a reconstrução de velhas histórias com as novas possibilidades de histórias alternativas e consolidação do que foi alcançado com a terapia são as principais etapas usadas num processo terapêutico.

 

Ser normal, adequado, desejável, ter competitividade são pressupostos sociais que podem ter impacto poderoso na vida das pessoas, conduzindo a formação de narrativas que podem envolver sofrimento quando as pessoas não conseguem viver de acordo com essas conjecturas. As histórias que as pessoas trazem são decisivas para o entendimento dos métodos narrativos de trabalho. Essas histórias não são somente produções individuais, visto que, há pressuposições que as organizam (as verdades tomadas como adquiridas) e que são derivados de nossa história social e da nossa cultura. (Foucault). O terapeuta narrativo trabalha com a história que a pessoa traz, não encaixa a pessoa na teoria, parte sempre da história diferente que cada indivíduo traz. O objetivo da T. Narrativa é mudar a relação da pessoa com o problema, construir histórias alternativas para que passem a viver uma nova história.

 

Resumindo, assim WHITE (1995) articula que na T. Narrativa:

 Não é possível interpretarmos a experiência vivenciada por uma pessoa sem termos acesso a alguma estrutura compreensível da história da própria pessoa que nos proporcione um contexto das suas experiências pessoais, isto é, uma moldura que dê pertinência a um possível significado.

 Menciona que os significados vindos da interpretação do terapeuta não são neutros em suas implicações, visto que, trazem em si efeitos reais do que o terapeuta diz, faz e os passos que dá na vida. Dai a importância da história da própria pessoa.

 Para estabelecer de forma ativa a explicação da própria experiência se começa a partir de como se vive a própria vida, e “o ponto de vista da narrativa é que as histórias constituem a moldura para essa inteligibilidade”.

 A metodologia do pensamento narrativo privilegia as particularidades das experiências vividas, as quais têm influencias vitais na trama das histórias, além de serem geradoras de significados.

 Dessa forma a T. Narrativa propõe que são as historias narradas pelos pacientes que determinam quais são os aspectos significativos das experiências que moldam suas vidas.

 A T. Narrativa objetiva proporcionar múltiplas perspectivas de uma realidade vivida, pois existem múltiplos caminhos a escolher e percorrer.

 Não existe um só caminho, Com essa convicção há uma visão aberta da história apresentada.

 

Na Terapia Narrativa, é mostrado que na vida assim como nos filmes:

 As histórias constam de eventos,

 Interligados em sequências,

 Através do tempo.

 De acordo com um enredo (Morgan, 2007).

 

A T. Narrativa trabalha com as histórias narradas pelas pessoas num espaço privado onde a pessoa é o principal ator ou atriz do filme da sua vida. Nesse espaço são contadas histórias de todos os tipos e como se sabe toda boa história têm as narrativas dos eventos que são escutadas e vinculadas a um enredo que interligadas em sequencias são mostradas através do tempo e podem dar de acordo com as circunstâncias um novo enredo, uma nova visão de mundo pessoal.

 

Na Terapia Narrativa os pacientes ou clientes são os astros principais da história de suas vidas e são às experiências pessoais que moldam essas vidas. A Terapia Narrativa se apoia no axioma fundamental de que A PESSOA NÃO É O PROBLEMA – O PROBLEMA É O PROBLEMA. Ou dizendo de outra forma: NÓS NÃO SOMOS O PROBLEMA- O PROBLEMA É QUE É O PROBLEMA.

 

Com base nessa crença máxima se desenvolve todo o processo terapêutico. O problema é algo que existe, mas nós não somos esse problema, pois temos inúmeras possibilidades ao nos movermos de uma posição fixa para outras formas alternativas.

 

O terapeuta narrativo trabalha com perguntas feitas sempre dentro da historia que a pessoa traz, porém a história da pessoa é que determina os conceitos teóricos com os quais se vai trabalhar. Não encaixa os conceitos na vida da pessoa, mas o contrario, trabalha a história da pessoa e une aos conceitos que conhece da abordagem.

 

Com os filmes, é logico que não faço perguntas, até porque a pessoa não está presente e seus problemas, bem ou mal, parece que mostram situações já resolvidas.

Mas o terapeuta narrativo faz perguntas dentro da história do paciente para desconstruir o problema; faz perguntas para reconstruir a história para novas aberturas e reflexões e faz perguntas para ver se a nova forma de ver a situação está consolidada no processo de vida pessoa.

São três etapas: desconstruir, reconstruir e consolidar o processo. É bom lembrar que as perguntas abrem novas perspectivas, mas sempre são feitas dentro da historia que a pessoa traz e não por interpretações pessoais dos terapeutas. Nas perguntas se faz uma ligação entre a história do problema apresentado e os conceitos teóricos com os quais se vai trabalhar; as perguntas são feitas a partir da historia narrada que depois são vinculadas aos conceitos teóricos, sem nenhuma interpretação pessoal do terapeuta. Usa-se a teoria para apoiar o trabalho terapêutico, mas as perguntas são feitas dentro da própria historia da pessoa que vem para a terapia, dentro da história que a própria pessoa conta. A depender do caso, é possível fazer perguntas a partir de qualquer parte da historia com qualquer conceito que possa dar uma visão reflexiva da historia que está sendo narrada.

O terapeuta narrativo tem que dominar a teoria em que se apoia neste caso a abordagem da T. Narrativa para saber dançar e dar os passos certos, no momento apropriado com perguntas dentro da situação para reflexão da pessoa. Só assim é possível fazer aberturas no processo. Como já disse, tem que se saber dançar com os passos adequados, pois não se dança samba ao som de uma valsa. A música ou as perguntas tem que estar adequadas para as histórias e com os conceitos nos momentos adequados. O terapeuta faz a vinculação entre a história da paciente e os conceitos que quer colocar na pratica. Na T. Narrativa a visão, crença, postura de qualquer pessoa é respeitada, seja paciente ou não. Respeitei a historia dos personagens dos filmes, apenas expus a abordagem da T Narrativa frente aos fatos abordados.

O que quero com este livro? Quero pontuar e comentar o que vejo nos filmes biograficos com o apoio teorico da Terapia Narrativa. Vi os filmes com os olhos focados na Narrativa. Nos filmes explanados podem ser vistos vários conceitos da Terapia Narrativa porque na vida só um conceito não explica tudo, todavia na discussão dos filmes dou destaque ao foco que mais explica ou especifica determinada situação. Focalizo mais num só conceito ou dois mais significativos que explicam o alvo fundamental a ser apontado e as principais reverberações que alcançam a descrição dos problemas.

 

REVERBERAÇÕES – são ideias e imagens nas quais a experiencia de uma pessoa oferece para outras pessoas uma grande profusão de ideias através de papeis temáticos, crenças, valores, conflitos, relatos de histórias de vida que reletem e influenciam pessoas na relação com outras. Michael White e David Epston com esta nova abordagem estudaram situações que tiveram inumeras reverberações no processo terapeutico narrativo como um todo.  

 

CAPITULO 2 -

 

NOMEAR UM PROBLEMA -  Nomear um filme ou um problema é dar uma identificação própria sobre o que se quer chamar a atenção seja sobre determinada situação ou determinado problema.

 

Nomear qualquer situação, problemática ou não, faz parte das narrativas dos filmes, também é assim com a Terapia Narrativa. Quando o diretor escolhe dar nome ao tema de um filme, está escolhendo algo que lhe interessa e sobre o qual quer chamar a atenção.

 

Na Terapia Narrativa quando as pessoas vêm até nós, já veem com um problema saturado dominante e nomeado, algo que lhes incomoda que vem rotulado de fora, um diagnóstico, um preconceito com o qual não estão sabendo lidar ou sair do círculo recorrente.

 

Mas na Terapia Narrativa quando se pede à pessoa para nomear uma história é preciso que este nome venha da própria experiência, que venha da história pessoal com a situação problemática e não só com o diagnóstico do problema. É a pessoa quem escolhe o nome que quer dar a sua experiência.

 

Nomear um problema na T. Narrativa é pedir ao cliente para dar um nome que contenha um significado vindo da sua experiência, aquilo que dá suporte a história dominante que foi trazida.

 

Nomear o problema ajuda a refletir sobre o problema em si e a refletir sobre seu significado na vida das pessoas. O nome do problema deve combinar com a experiência que as pessoas têm com o problema.  

 

CAPÍTULO 3

 

A PESSOA NÃO É O PROBLEMA – O PROBLEMA É O PROBLEMA

 

O axioma fundamental que apoia a Terapia Narrativa é A PESSOA NÃO É O PROBLEMA – O PROBLEMA É O PROBLEMA, Este pensamento reflete uma filosofia de vida, uma crença fundamental de seus iniciadores WHITE e EPSTON. Para esses autores, o problema também se desenvolve no sócio cultural e contribui para a dificuldade já estabelecida no campo da saúde mental; está vinculado ou é paralelo ao contexto sociocultural. Não se quer negar os diagnósticos psicológicos ou psiquiátricos, eles estão presentes, mas na maioria das vezes também estão vinculados de forma crucial com as crenças ou preconceitos socioculturais.

 

Para exemplificar de forma mais clara o que isto significa, vejamos então um filme que mostra aspectos reais da vida de uma pessoa, o cientista STEPHEN HAWKING que exemplifica de forma contundente o axioma básico da Terapia Narrativa é: A PESSOA NÃO É O PROBLEMA – O PROBLEMA É O PROBLEMA. Não estou querendo atrelar à Terapia Narrativa a uma interpretação da vida da pessoa apontada nos filmes, ao contrário, quero trazer a própria história das pessoas que foram filmadas para explicar a visão da abordagem T. Narrativa frente à situação problemática como exposta no filme. Não faço nenhuma interpretação, apenas mostro os conceitos que apoiam a T. Narrativa em situações semelhantes. É como se estivesse treinando e exemplificando com o estudo de casos os conceitos da abordagem.

 

CAPITULO 3.1 - A DOENÇA NO CORPO   FILME: “A TEORIA DE TUDO” 

 

A história de Stephen Hawking. STEPHEN WILLIAM HAWKING foi um físico teórico, cosmólogo britânico e um dos mais consagrados cientistas do século.

Doutor em cosmologia, foi professor emérito na Universidade de Cambridge, num posto que foi ocupado por Isaac Newton. (Wikipédia)

 

Vou começar mostrando a vida de uma pessoa real que viveu entre nós, mas que só alcançou o grande público quando este filme foi lançado. Antes só sabia de STEPHEN HAWKING um público circunscrito ao seu trabalho científico.

*Viveu de: 8 de janeiro de 1942 a 14 de março de 2018 (morreu aos 76 anos de idade)

• Altura: 1,69 m

• Cônjuge: Elaine Mason (c. 1995 - 2006) • Jane Hawking (c. 1965 - 1995)

• Filhos: Lucy Hawking (Filha) • Timothy Hawking (Filho) • Robert Hawking(Filho)

• Formação: Universidade de Oxford (1959 - 1962) • St Albans High School for Girls • St Albans School • Trinity Hall (1962 - 1966)

 

STEPHEN HAWKING desafiou as previsões dos médicos, que lhe deram uma expectativa de vida de apenas alguns anos, depois que ele foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) aos 22 anos. Esta doença ataca os neurônios responsáveis por controlar os movimentos voluntários e lhe deixou no final da vida em uma cadeira de rodas monitorada com sistemas de aparelhos audiovisuais.

 

Resumo do Filme – A TEORIA DE TUDO acrescido de alguns aspectos romanceados de sua vida real. O filme mostra como a doença o deixou progressivamente paralisado, até chegar ao ponto de conseguir se comunicar apenas com a ajuda de um computador que interpretava seus gestos faciais.

 

"Sua valentia e persistência, aliadas ao seu brilhantismo e humor, inspirou pessoas em todo o mundo", destacaram seus filhos. "Vamos sentir sua falta para sempre".

Hawking se casou em 1965 com Jane Wilde, com quem teve três filhos. Sua história de amor foi contada no filme "A Teoria de Tudo" (2014), pelo qual o britânico Eddie Redmayne venceu o Oscar por sua interpretação do astrofísico.

O casal se separou após 25 anos de casados e o cientista se casou com a ex-enfermeira Elaine Mason, de quem se divorciou em 2006 em meio a boatos de maus-tratos, que ele negou.

 

Fotos de STEPHEN HAWKING (copiadas da internet) STEPHEN HAWKING flutua em um Boeing 727 com ajuda da gravidade zero. Foto: REUTERS/Zero-Gravity Corporation A NASA publicou no Twitter um vídeo do cientista sorrindo enquanto flutuava livremente durante um voo de gravidade zero no Kennedy Space Center da Flórida.

Dados biográficos: Nascido em 8 de janeiro de 1942, 300 anos depois da morte do pai da ciência moderna, Galileu Galilei, STEPHEN WILLIAM HAWKING se tornou um dos cientistas mais conhecidos do mundo e entrou para o panteão dos titãs da ciência. Foi um titã da ciência. Grande parte de seu trabalho se concentrou em unir a relatividade (a natureza do espaço e do tempo) e a teoria quântica (a física do menor) para explicar a criação e o funcionamento dos cosmos.

 

"Meu objetivo é simples: entender completamente o universo, por que é como é e por que existe simplesmente", afirmou uma vez.

Sua popularidade o levou a fazer participações em séries de televisão como "Star Trek" e "The Simpsons" e sua voz foi ouvida em canções do grupo Pink Floyd.

Quando morreu, as homenagens vieram rapidamente de todas as partes do mundo.

O professor Alan Duffy, pesquisador do Centro de Astrofísica e Supercomputação do Royal Institution da Austrália, chamou o trabalho de Hawking de "lendário".

“Seus textos foram inspiradores para muitos cientistas e ele enriqueceu as vidas de milhões (de pessoas) com as últimas perspectivas científicas e cósmicas". "Suas teorias desbloquearam um universo de possibilidades que nós e o mundo estamos explorando. Que ele permaneça voando como o Super-Homem na micro gravidade, como disse aos astronautas da @space_station em 2014".

Até celebridades não relacionadas com a astrofísica como a cantora americana Katy Perry afirmou que havia um "grande buraco negro" em seu coração.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse que Hawking fez do "mundo um lugar melhor".

Hawking se tornou aos 32 anos um dos membros mais jovens da instituição científica de maior prestígio do Reino Unido, a Royal Society. Em 1979 foi nomeado titular da prestigiosa Cátedra Lucasiana da Universidade de Cambridge, centro ao qual chegou procedente da Universidade de Oxford para estudar Astronomia Teórica e Cosmologia.

 

COMENTÁRIOS: O QUE TERAPIA NARRATIVA PODE PONTUAR DE IMPORTANTE NESSE FILME? A vida real de STEPHEN HAWKING exibida de forma resumida e romanceada no filme “A TEORIA DE TUDO” mostra o conceito, o axioma básico que apoia a Terapia Narrativa. A PESSOA NÃO É O PROBLEMA – O PROBLEMA É O PROBLEMA. Este pensamento reflete a crença fundamental dos iniciadores da Terapia Narrativa e é vivenciado de forma admirável na vida de STEPHEN HAWKING. Não sei se ele alguma vez fez psicoterapia, mas sua vida é uma demonstração de como apesar de um diagnostico tão difícil quanto da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), ele não ficou preso ao diagnóstico da ELA e demonstrou de forma excepcional como ultrapassar os limites impostos pela doença. O que isso significa? Já pensaram se HAWKING tivesse ficado preso ao diagnóstico que lhe foi dado de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)? Talvez nada do que fez tivesse chegado até nós. Toda sua vida teria acabado. Ele teria se acomodado ao diagnostico da ELA, e teria acreditado que não havia mais nenhuma chance para ele. Se tivesse feito isso, aí realmente talvez só tivesse mais alguns anos de vida, mas ele acreditou que apesar de tudo poderia ter novas oportunidades.

É preciso prestar atenção que o diagnóstico não foi negado, foi vivido com todas as suas limitações, com dor e sofrimento, mas colocado ao lado para que pudesse criar uma nova história alternativa na relação com sua doença Seu cérebro continuou a funcionar e mesmo seus prazeres do corpo quando estimulados continuaram, que como ele disse eram involuntários, visto que teve três filhos. ELA paralisou seus movimentos, mas não paralisou sua vida. Usando um conceito da sua teoria foi apenas um buraco negro, uma máquina natural no tempo, que não devia dar limites para o ímpeto humano.

Ele demostrou que o problema (ELA) era um diagnóstico pesado, mas também demostrou que o problema era o problema – o problema não era ele. Ele nunca foi o problema, atravessou sua doença e foi, além disso, viveu sua vida como qualquer outra pessoa. Seu corpo físico tinha uma doença, mas sua mente era sã. Conseguiu com humor ser ele mesmo. Enfim, ele procurou outras possibilidades para sua vida, acreditou que era possível e foi em frente, apesar do diagnóstico. Mostrou que ele não era a doença, e não ficou paralisado pelo diagnóstico.

NÃO IMPORTA QUANTO À VIDA POSSA SER RUIM, SEMPRE EXISTE ALGO QUE VOCÊ PODE FAZER, E TRIUNFAR. ENQUANTO HÁ VIDA, HÁ ESPERANÇA. (Stephen Hawking)

 

Ele acreditava firmemente QUE SOMOS MUITO PEQUENOS, MAS POSSÍVEIS DE FAZER COISAS GRANDES. Demonstrou isso na sua vida pessoal. Ele demostrou no filme e na vida que o todo está dentro do nada e o nada está dentro do todo. Que o universo nem sempre existiu.

 

O que haveria antes do Big Bang? Esse pode ser apenas o som do inicio do tempo. A história da busca pelo inicio do tempo não tem passado, presente ou futuro. STEPHEN HAWKING desconstruiu o preconceito de que alguém com o tipo de doenças que ele tinha não podia fazer mais nada; reconstruiu sua vida focando no interesse da sua vida -a ciência- mostrando que tinha capacidade para tal e consolidou essa nova postura com grandes invenções para a ciência, para ele, para a sua família e para nós.

Não é isso que procuramos mostrar aos pacientes que chegam até nós? Ficar preso ao diagnostico e não procurar outras saídas é ficar preso na história saturada do problema, seja qual for o diagnóstico que se tiver.

O problema é apenas uma entre as múltiplas visões em que podemos ficar congelados, mas não é o todo de nossas vidas. Existem outras possibilidades. O terapeuta narrativo busca novas possiblidades, um novo tipo de relação da pessoa com o problema dentro da crença de que a pessoa não é a doença.

HAWKING viu, percebeu isso, enquanto outras pessoas precisam de ajuda terapêutica para saírem dos problemas. O importante é ter uma nova relação com a situação.

Todo efeito inteligente tem em sua consequência também uma causa inteligente. (Stephen Hawking)

 

Frases de Stephen Hawking que mostram as crenças que nortearam sua vida e estão no PANORAMA DE SUAS AÇÕES e de sua IDENTIDADE.

 

Mesmo as pessoas que dizem que tudo está predeterminado e que não podemos fazer nada para mudá-lo, olham para os dois lados antes de atravessar a rua. (Stephen Hawking)

 

Quando achamos a matemática e a física teórica muito difícil, voltamo-nos para o misticismo. (Stephen Hawking)

 

 Eu não tenho nenhuma ideia (de qual seja o meu QI). Pessoas que se vangloriam dos seus QI são perdedores. (Stephen Hawking)

 

 O paraíso é um conto de fadas para pessoas com medo do escuro. (Stephen H awking) Eu não sou religioso no sentido normal. Eu acredito que o universo é governado pelas leis da ciência. As leis podem ter sido decretadas por Deus, mas Deus não intervém para quebrar as leis. (Stephen Hawking)

 

 O que eu fiz foi demonstrar que é possível determinar pelas leis da ciência o modo como o Universo começou. Neste caso, não é necessário apelar a Deus para explicar como começou o Universo. Se isto não prova que Deus não existe, pelo menos prova que Deus não precisa provar nada. Deus pode existir, mas a ciência pode explicar o universo sem a necessidade de um criador. (Stephen Hawking)

 

 Quando alguém reclamar que você cometeu um erro, diga-lhe que pode ser algo bom. Porque sem a imperfeição nem você e nem eu existiríamos. (Stephen Hawking)

 

 Não deve haver limites para o esforço humano. Somos todos diferentes. Por pior que a vida possa parecer, sempre há algo que podemos fazer em que podemos obter sucesso. Enquanto houver vida, haverá esperança. (Stephen Hawking)

 

 Então Einstein estava errado quando disse: "Deus não joga aos dados"? A consideração dos buracos negros sugere não apenas que Deus joga os dados, como que às vezes nos confunde, jogando-os onde eles não podem ser vistos. ( Stephen Hawking)

 

Os pensamentos citados acima são exemplos do panorama de identidade de HAWKING que determinaram suas ações.

O objetivo da Terapia Narrativa é mudar a relação das pessoas com o problema, constituir histórias alternativas e viver uma nova história.

Isso STEPHEN HAWKING fez em sua vida, mudou a relação com seu problema, construiu uma história alternativa para sua própria vida e o fez criando uma nova forma de vida para si mesmo.

Esse foi STEPHEN HAWKING, que viu na dificuldade da doença uma grande oportunidade para com ajuda da ciência que tanto estudou sair da limitação física.

 

Quantas pessoas anônimas existem que conseguem ir além das suas doenças físicas e procuram ou vivem outras possibilidades? Inúmeras.

 

Os atletas paraolímpicos também estão ai para demonstrar. Umas conseguem sair das situações problemáticas sozinhas e outras com a ajuda de terapias.

 

Reflexão: Na história da vida de STEPHEN HAWKING quais as reverberações que podemos receber vindas da sua história?

 

CAPITULO 3.2 A DOENÇA PSIQUIÁTRICA - Filme - UMA MENTE BRILHANTE –

 

Esse é um filme sobre a vida de JOHN FORBES NASH - Matemático Americano

 

JOHN FORBES NASH JR. foi um matemático norte-americano que trabalhou com a teoria dos jogos, geometria diferencial e equações diferenciais parciais, servindo como Matemático Sénior de Investigação na Universidade de Princeton.

Compartilhou o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel de 1994. (Wikipédia).

 

“UMA MENTE BRILHANTE" baseia-se na biografia de John Nash escrita por Sylvia Nasar, e começa com a chegada do jovem NASH à Universidade de Princenton, em 1947. Isolado de todos e tudo, NASH recusa-se a participar das atividades básicas da Universidade, tais como assistir às aulas, conviver com os colegas, etc.

O seu objetivo era a procura de uma "Ideia original".

• Viveu de 13 de junho de 1928 - 23 de maio de 2015 (idade 86)

• Altura: 1,85 m

• Cônjuge: Alicia Nash (c. 2001 - 2015)

• Alicia Nash (c. 1957 - 1963)

• Filhos: John Charles Martin Nash (Filho) • John David Stier (Filho)

• Prêmios: Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel (1994)

• Prêmio Teoria John Von Neumann (1978)

• Filme relacionado: UMA MENTE BRILHANTE

 

John NASH foi até agora a única pessoa a ganhar um Nobel e um Abel (um "Nobel da matemática")  

 

SINOPSE DO FILME – UMA MENTE BRILHANTE UMA MENTE BRILHANTE é um filme dos USA de 2001, do gênero drama biográfico, dirigido por Ron Howard, sobre a vida do matemático JOHN FORBES NASH.

O roteiro do filme é uma adaptação feita por Akiva Goldsman do livro homônimo de Sylvia Nasar de 1988 (Wikipédia)

• Data de lançamento: 4 de janeiro de 2002 (Estados Unidos)

• Diretor: Ron Howard

• Duração: 2002 • 2hora 15min 

• Biografia - Drama Principais atores: RUSSEL CROWE como JOHN NASH e JENNIFER CONNELY como ALICIA NASH

Dados Biográficos no filme: UMA MENTE BRILHANTE é um drama profundamente humano, inspirado nos eventos da vida de um gênio de verdade - o matemático JOHN FORBES NASH, JR. Nascido numa família de classe média numa pequena cidade de Bluefield, na Virgínia Ocidental, ele fascinou o mundo intelectual há mais de 50 anos com uma surpreendente descoberta. Seu trabalho pioneiro sobre a "teoria do jogo" tornou-o o astro da "Nova Matemática" na década de 50 - mas sua ascensão mudou de rumo drasticamente quando seu brilhantismo intuitivo foi interrompido pela esquizofrenia.

Filho de um engenheiro elétrico e de uma professora, NASH nasceu em 1928 em Bluefield, na Virgínia Ocidental, e rapidamente se destacou por sua capacidade intelectual, obtendo bolsas de estudos para o Carnegie Institute of Technology de Pittsburgh e depois para Princeton. Ali publicou, com apenas 21 anos, sua conhecida tese, que fez sua fama disparar entre a comunidade acadêmica e o levou ao prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à companhia de tecnologia militar RANDE.

Foi incentivado pelo colega Charles a procurar a “sua ideia original" que ele tanto queria fora das quatro paredes do seu quarto. NASH inspira-se em fontes estranhas, como o movimento dos pombos no parque, os movimentos de uma equipe de futebol e até do roubo de uma carteira. Nenhum destes três estudos o ajudou. Será numa conversa de bar que NASH vai encontrar inspiração para sua "Ideia Original", uma teoria revolucionária com aplicação na economia moderna que contestava 150 anos do reinado de Adam Smith na área.

O reconhecimento pelo seu trabalho acontece em 1953, após NASH ter realizado alguns trabalhos no Pentágono ao decifrar códigos russos. Ao mesmo tempo, NASH é Professor. Conhece uma aluna, Alicia, com a qual viria a casar e ter um filho. Tudo parecia correr bem com o casal, até que NASH começa a ser perseguido por desconhecidos. NASH não resiste (1959) à grande pressão e começa a ficar paranóico. O resto do filme segue uma trajetória repleta de desafios, onde NASH luta, não só contra a esquizofrenia, mas também contra todos aqueles que não acreditavam na sua recuperação. O filme termina com o reconhecimento pelo qual Nash tanto ansiava: o Prémio Nobel de Economia em 1994, por sua contribuição na Teoria dos Jogos. O matemático

John NASH estava em Oslo para receber das mãos do rei da Noruega, Harald V, o ABEL, prêmio de 6 milhões de NOK (cerca de US$ 750 mil), que dividiu com Louis Nirenberg quando um acidente de carro matou NASH e sua mulher, ALICIA, isso aconteceu num sábado (dia 23/05/2015) quando os dois voltavam de táxi do aeroporto para casa.

JOHN NASH ganhou o Abel por suas contribuições em matemática pura, principalmente em geometria e equações diferenciais parciais. Os matemáticos afirmam que seu trabalho na área é mais espetacular do que o que ele fez na Teoria dos Jogos, que lhe rendeu reconhecimento internacional e o Nobel de Economia em 1994 (não existe Nobel de Matemática).

Sua tese de doutorado, de 1950, com 27 páginas foram consideradas um dos textos fundamentais da Teoria dos Jogos. É possível ler no site de Princeton o artigo: Non-cooperative games (Jogos não cooperativos). Nele, está o conceito conhecido como Equilíbrio de NASH.

JOHN NASH casou, divorciou e casou novamente com a mesma mulher. John Nash e a física Alicia Nash de origem salvadorenha se casaram em 1957.

Dois anos depois, ele foi internado pela primeira vez, sofrendo com paranoias, com mirabolantes histórias de perseguição e sua saúde mental começou a deteriorar. Eram sintomas da esquizofrenia. Alicia estava grávida do primeiro filho do casal (ele já tivera um filho antes, em 1953, de um relacionamento com uma enfermeira).

Em 1963, divorciaram-se, mas ela continuou o ajudando. Em 1970, mesmo separados, Alicia o aceitou em sua casa, para cuidar dele. Depois que NASH conseguiu controlar a doença, casou-se novamente em 2001.

Quando ganhou o Nobel de Economia, em 1994, John Nash estava sem publicar artigos científicos desde 1958, ele contou sua vida para sua biógrafa, Sylvia Nasar, em artigo no New York Times, que na época do anúncio do prêmio, em 1998 ampliou para o livro "Uma Mente Brilhante", que inspirou o filme de mesmo nome. Paralelamente ao reconhecimento acadêmico e profissional as turbulências começavam em sua vida pessoal, segundo outra biografia, ele teve várias relações homossexuais e uma detenção por exposição indecente.

Diagnosticado com esquizofrenia em 1959, o matemático passou longas temporadas hospitalizado, foi tratado com eletrochoque, fugiu por um tempo para a Europa e perdeu anos andando pelos corredores de Princeton consumido pela paranoia e por teorias da conspiração.

Em 1963 ele se divorciou de Alicia que, no entanto, sempre se manteve ao seu lado. Eles voltaram a viver juntos em 1970 na casa dela, onde pouco a pouco NASH começou a superar a doença. NASH conseguiu voltar a dar aulas e em 1994 recebeu o Nobel de Economia pelas descobertas que fez décadas antes.

Seus problemas mentais o haviam impedido de exercer cargos acadêmicos desde 1959, quando deixou o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), na sigla em inglês, onde ingressara em 1951. NASH chegou a se mudar para a Europa, afirmando que era perseguido.

Em 1960, retornou para Princeton. Foi internado diversas vezes por conta da esquizofrenia. Nos anos 1970, foi deixando de tomar medicamentos e descreveu assim, em 1996, para o amigo Harold W. Kuhn, professor emérito de matemática em Princeton, sua "cura".

 

"LIVREI-ME DO PENSAMENTO IRRACIONAL, POR FIM, SEM REMÉDIOS, QUE NÃO AQUELES DE MUDANÇAS HORMONAIS DO ENVELHECIMENTO".

 

Com uma mente privilegiada, mas golpeada durante anos pela esquizofrenia, John NASH ficará na história como um dos matemáticos mais brilhantes do século XX, embora para o grande público seja para sempre o atormentado inspirador de "Uma Mente Brilhante", onde ficou conhecido por ter tido uma vida marcada pelas doenças mentais, e que o diretor Ron Howard levou ao cinema em 2001 sob o título de "Uma Mente Brilhante".

No entanto, a notoriedade do filme também alimentou acusações contra Nash, que se viu obrigado a negar em entrevista ser antissemita, e a atribuir algumas das "estranhas ideias" que teve durante sua vida à doença. Nos últimos anos, o casal dedicou boa parte de seu tempo a chamar a atenção sobre as doenças mentais, que também vitimou seu filho, John. Ele também seguiu a carreira de seu pai como matemático.

 

Já sabemos como uma doença desorganiza, desconstrói a pessoa e a família. NASH demonstrou o preconceito contra a esquizofrenia, ficou preso por algum tempo ao diagnóstico, como disse: simplesmente decidiu voltar a racionalidade, reconstruiu sua vida não deixando que a doença o impedisse de buscar a ideia original que tanto procurava e consolidou sua posição pesquisando a ciência que tanto gostava.

 

Mais uma vez quero lembrar o objetivo principal da Terapia Narrativa é desconstruir a relação das pessoas com o problema, reconstruir a vida buscando histórias alternativas e consolidar a vivencia com uma nova história. Isso JOHN NASH também fez em sua vida, mudou a relação com seu problema, com seu diagnóstico (a esquizofrenia) e construiu uma história alternativa para sua própria biografia e o fez criando uma nova vida para si mesmo.

 

Assim, de forma diferente descrevi dois grandes cientistas que tiveram diagnósticos de doenças limitantes e cheias de preconceitos: HAWKING no corpo com a ELA e NASH na psiquiatria com a esquizofrenia. Enfim, enquanto JOHN NASH controlou o diagnostico de uma doença psíquica, STEPHEN HAWCKING dominou seu diagnostico, no corpo com sua doença física.

Ambos demostraram que o PROBLEMA (ELA e a Esquizofrenia) ERA O PROBLEMA, ELES NÃO ERAM O PROBLEMA, e isso foi demonstrado tanto no corpo como no psíquico. 

Privilegiaram a Ciência ao invés de focarem na doença. As doenças estavam lá, mas os dois se relacionaram com o seus diagnósticos externalizando, isto é, criando uma nova relação com as limitações e buscaram novas possiblidades, se relacionaram com a doença focando no trabalho que lhes interessava, ao invés de ficarem presos fixamente na doença. Cada um focou no interesse principal de suas vidas – a ciência – e com isso controlaram as doenças, sobreviveram e foram além do diagnóstico e dos preconceitos.

O que se destaca nas histórias de STEPHEN HAWKING E JOHN NASH é a não fixação nas suas doenças: física e mental. Aquilo que aparentemente poderia ser o foco dos problemas se transformou com a ciência num investimento para uma nova vida. Fizeram investimentos no trabalho com novos modelos de vida e são excelentes exemplos de pessoas que não ficaram presas aos seus respectivos diagnósticos e viveram suas vidas da melhor forma possível, pois eles não eram a doença e saíram de suas limitações crescendo como seres humanos. Foram sábios principalmente porque souberam fazer isso.

JOHN NASH AFIRMAVA QUE CONTROLOU A ESQUIZOFRENIA SIMPLESMENTE DECIDINDO VOLTAR À RACIONALIDADE.

Quais as reflexões que podemos fazer sobre a história de vida de John Nash?