NARRATIVAS TERAPÊUTICAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, que não separa o observador do observado.

CONTRATRANSFERÊNCIA

CONTRATRANSFERÊNCIA” E DESENVOLVIMENTO DE HISTÓRIAS RICAS

WHITE, Michael- Narrative Practice - Continuing the conversatios; Edited by David Denborough; W. W. Norton & Company: NY - London; 2011; cap. 4; pag.71

De tempos em tempos, os terapeutas são tocados no  seu trabalho de maneiras que os inquietam. Nessas horas, eles podem se sentir confusos, magoados, desapontados e desesperados. Os terapeutas podem se encontrar experimentando emoções poderosas em relação às pessoas que os procuram para consulta, e eles podem atribuir motivos negativos a essas pessoas. Em algumas dessas ocasiões, os terapeutas estão sendo submetidos a atos de poder que os estão desqualificando ou diminuindo. Em outras ocasiões, essas experiências dolorosas são o resultado do que muitas vezes é chamado de "contratransferência". Este é considerado um fenômeno no qual emoções reprimidas e muitas vezes esquecidas estão sendo dirigidas pelo terapeuta para pessoas que os procuram em consulta. Em primeiro lugar, é importante auxiliar o terapeuta na identificação e nomeação das operações de poder a que está sendo sujeito, e incentivá-lo a encontrar formas adequadas de abordar explicitamente essa exposição no contexto das conversas terapêuticas. No segundo caso, o fenômeno "contratransferência" pode fornecer um ponto de entrada para o rico desenvolvimento de histórias para o terapeuta.

DESENVOLVIMENTO DE HISTÓRIAS RICAS

Quando os terapeutas buscam consulta (supervisão) sobre o fenômeno da "contratransferência", uma opção disponível para o consultor (supervisor) é considerar essa resposta um ponto de entrada para o desenvolvimento de histórias ricas. Neste caso, o consultor pode primeiro encorajar o terapeuta a identificar

1) a expressão a que ele ou ela está respondendo e

2) do que trata esta expressão.

Atenção especial é dada a um inquérito sobre o que essas expressões sugerem, sobre a que é dado valor ou ao que é mantido precioso. Por exemplo:

• Uma expressão direta de algo que é altamente valorizado pelo terapeuta,

• A expressão de um lamento sobre a ausência de algo altamente valorizado, ou

• Uma expressão de dor ou sofrimento que é implicitamente sugestiva de algo que é valorizado, mas ausente.

O consultor apoia o terapeuta na rica caracterização do que foi identificado em termos do que foi outorgado como valor. O consultor então entrevista o terapeuta sobre... • As imagens de vida e identidade que são evocadas nesta rica caracterização ao que é dado valor.

• As ressonâncias na história da experiência de vida do terapeuta que são desferidas por essas imagens.

• O que essas ressonâncias refletem sobre o que o terapeuta conferiu valor na história de sua vida.

• Como o terapeuta manteve uma relação com o que ele ou ela conferiu valor.

Esta exploração define o cenário para o reconhecimento mais amplo do que o terapeuta preservou como precioso e como ele ou ela preservou isso. Isso também coloca o cenário para o terapeuta conhecer, com as pessoas que procuram consulta, as maneiras pelas quais sua vida foi tocada por suas expressões... O que estou tentando sugerir aqui é que o que é muitas vezes referido como "contratransferência" pode abrir portas para o que eu costumo chamar de rico desenvolvimento de histórias e ricas considerações. (p. 71/73)