NARRATIVAS DE VIDAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

INTRODUÇÃO

 

A minha história tem por objetivo compartilhar com voces que sou Psicologa CRP-03/01376 e uso a abordagem da Narrativa como instrumento de trabalho. A Terapia Narrativa pode ser considerada uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida no pensamento pós-estruturalista que não separa o observador e o observado, o cliente e o profissional. Foi desenvolvida a partir dos anos 80 com a co-participação entre MICHAEL WHITE e DAVID EPSTON. Os dois compartilharam ideias  de GREGORY BATESON (Os seres humanos fazem distinções como forma de compreender e de perceber a realidade), JEROME BRUNER (distinções que adquirem uma textura narrativa) e MICHEL FOUCAULT (subjacentes a essas narrativas há proposições organizadoras invisíveis porque construídas nos contextos sócio-culturais). Os problemas são construídos em contextos sócio-culturais, que incluem relações de poder, de raça, de classe, de preferência sexual, gênero, situação econômica, etc. Quando as pessoas procuram ajuda, às vezes trazem conclusões limitadas sobre suas vidas e relacionamentos. Isto dificulta o acesso a seus conhecimentos, competências, capacidades e habilidades.
 
Os pressupostos da Terapia Narrativa são: O problema é o problema - a pessoa não é o problema, é um ser humano maior do que o problema que apresenta. As pessoas são autoras das histórias de suas próprias vidas.

O objetivo da Terapia Narrativa é desconstruir verdades adquiridas e aceitas que ditam nosso viver e construir uma nova história de vida.Uma narrativa é como um fio que tece os eventos formando uma história. As histórias consistem de acontecimentos, fatos, eventos; que estão interligados numa determinada sequência, através do tempo, de acordo com um enredo que tem como figura principal, o significado que lhe damos. O foco é a historia da relação da pessoa com o problema. As fases do processo são possibilitadas pela compreensão de que o processo se dá numa sequência iniciada pela desconstrução de que a pessoa não é problema, o problema é o problema, isto inclui nomear o problema, externalizar e explorar seus efeitos e conseqüências na vida das pessoas. Depois gradualmente essa desconstrução dá lugar a uma reconstrução saindo da história dominante do problema para histórias alternativas com momentos extraordinários nos quais as pessoas não perceberam que estavam fora do problema e finalmente praticar a consolidação desta nova historia comportamental.

 

 Este é um modelo terapêutico que pode ser usado com indivíduos, grupos e comunidades.

 

 

EXTERNALIZAÇÃO

1. NÓS NÃO SOMOS NOSSOS PROBLEMAS 

 

Este texto foi escrito e enviado por DAVID DENBOROUGH  do Dulwich Centre - Adelaide - AUSTRALIA

O texto vai ser colocado no site a cada dois dias, dividido em seções para que possamos entender melhor o assunto. Eis os subtitulos das futuras secões.

1. Este texto sobre EXTERNALIZAÇÃO

2. Clique em CONTE UMA HISTORIA com o Exemplo de externalização do relato da HISTÓRIA DE DANIEL atendimento de Daniel e familia feito por Michael White.

3Clique em CONTE SUA HISTÓRIA e depois em NOMEANDO SUA HISTÓRIA, Nomeando o problema. Exemplo de nomear o problema com o relato A TRISTEZA E O MEDO DE JOANNA. Uma nota sobre responsabilidade. 

- Mudando nosso relacionamento com o problema. Os problemas podem ser persistentes.

- Criar nossos próprios documentos

4. Clique em CONVERSAÇÕES COLETIVAS. Exemplo de uma entrevista coletiva sobre AS DUAS  FACES DO ASSÉDIO numa escola.

- Nossa influencia sobre os problemas

5. Clique em  PESQUISA.  Práticas especiais para atravessar tempos dificeis 

- Novas maneiras de continuar tradições. Lagrimas e então falar

-  Sua própria habilidade especial - LIZ: CHÁ E BISCOITOS

-  Rememorando  e aguardando (OLHAND PARA TRÁS E PARA A fRENTE)

 

1. EXTERNALIZAÇÃO

Quando começamos a recontar e reescrever as histórias de nossas vidas, faz uma grande diferença como nós falamos sobre os problemas em nossas vidas. Se nós acreditarmos que somos o problema e que há algo de errado com a gente, então  torna-se muito difícil agir. Nesse caso tudo o que podemos fazer é agir contra nós mesmos.

Infelizmente, é muito comum ouvir formas de falar que fazem parecer que a pessoa é o problema, como por exemplo: "Ele é um garoto ruim", "Lucy está deprimida", "Bill é esquizofrênico”. E muitas vezes pensamos em nós mesmos dessas formas, por exemplo:

• Eu sou uma mãe má.

• Eu sou inútil.

• Eu não sou suficientemente inteligente.  Nunca terminarei a escola.

• Tenho uma personalidade viciada.

• Eu tenho toda essa raiva em mim por causa do que aconteceu comigo quando criança.

Em cada uma dessas descrições, a pessoa é o problema, e se pensarmos em nós mesmos como o problema, pode ser realmente difícil saber o que fazer. Também pode ser desmoralizante. É particularmente fácil vir a acreditar que somos um problema se a influência do sexismo, do racismo ou do abuso estiverem ao nosso redor. Esta maneira comum de entender os problemas como se localizados dentro das pessoas é chamada de "problemas de internalização". Às vezes, os problemas também são internalizados em casais ou grupos de pessoas:

• Nós sempre fomos comunicadores ruins.

• Nossa comunidade está sem esperança.

 Há, no entanto, uma maneira diferente de compreender a vida e os problemas. Esse modo alternativo é chamado de "problemas de externalização" e é resumido na frase "A pessoa não é o problema. O problema é o problema "(White, 1984, 2007).¹ Nesta maneira de pensar, a pessoa e o problema não são o mesmo (veja a Figura 2.1) .² 

Por exemplo, os paragrafos a seguir, contrastam as descrições internalizadas em preto com as descrições externalizadas abaixo em vermelho.

Através deles, é criado algum espaço entre a pessoa e o problema.

 

 A PESSOA É O     PROBLEMA          

 A PESSOA NÃO É O  PROBLEMA -  O PROBLEMA É O PROBLEMA                                                        

 Ele é um menino mau    

 O problema realmente está sempre  ao redor desse garoto.   

                                  

 Lucy é uma pessoa deprimida           

 LUCY diz que está num nevoeiro de  depressão desde que sua mãe morreu.                                                                                                   

 Eu sou uma pessoa inútil 

 A sensação de inutilidade é muito  forte quando  estou na sala de aula.                                          

 Bill é esquizofrênico     

Bill diz que as vozes hostis (da esquizofrenia)  tentam lhe convencer que não tem valor.                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Nossa comunidade está sem esperança     

Esperança pode ser difícil de achar aqui  ao nosso redor,  particularmente quando  tem tantas perdas na  comunidade.                                                                                                               

 Este processo de separar nossos problemas de  nós mesmos torna possível começarmos a revisar nosso relacionamento com os problemas.

Às vezes, as pessoas pensam que dizendo: "A criança não é o problema; É sua mãe que é o problema " é externalizar. Não é! Isso está apenas culpando outra pessoa - movendo a localização do problema de uma pessoa para dentro de outra (veja a Figura 2.2 abaixo). Também parece muito com  culpar a mãe, o que é muito comum.

Em vez disso, podemos dizer que a externalização é um princípio ou uma filosofia que se recusa a localizar os problemas dentro das pessoas (ver Figura 2.3). Reconhecemos que os problemas têm histórias. As histórias são criadas ao longo do tempo. E muitas vezes, os problemas são afetados por fatores mais amplos, como pobreza, racismo e sexismo

Isso não é para diminuir a gravidade do problema ou seus efeitos. Muitas pessoas lutam com os efeitos de dificuldades esmagadoras. Isso torna ainda mais importante falar sobre esses problemas e compreendê-los de maneira que os separem da pessoa. A pessoa não é o problema; O problema é o problema.

  Externalizando o problema  

Pode ser difícil, em primeiro lugar, externalizar o problema e conseguir algum senso de distância dele. Isto é particularmente verdadeiro quando nos convencemos de que somos o problema.

No site clique em conte uma historia  e veja por exemplo a situação de Daniel. É uma história  contada por Michael White (2004a), e transmite a experiência de externalização com Daniel e seus pais.