NARRATIVAS de VIDAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, que não separa o observador do observado.

CATEGORIAS DE INVESTIGAÇÃO

5. COMO USAR O MAPA DAS QUATRO CATEGORIAS DE INVESTIGACAO? (MICHAEL WHITE, Maps of Narrative Practice; – 2007, W.W. Norton & Company, NY; p. 38;39;40)

Há aproximadamente dez anos atrás, em resposta a pedidos para que apresentasse um mapa para o desenvolvimento das conversações de externalização, fiz a revisão de uma série de vídeos de conversas de externalização com a intenção de extrair as categorias especificas de perguntas que davam forma a essas conversações. Como resultado desenvolvi um mapa de “declaração de posição “que incorporei às notas de meus workshops e comecei a introduzir em contextos de ensino. Esse mapa oferece um relato de conversações de externalização dentro de quatro categorias. Tenho apresentado e ilustrado esse mapa em contextos didáticos por muitos anos, e os participantes desses eventos afirmam que esse aspecto os ajuda no desenvolvimento de suas próprias práticas de externalização.

Extrair as quatro categorias de investigação dessa forma serviu para abrir tais práticas, tornando-as mais transparentes e disponíveis à reaplicação, a aplicações especificas e a posteriores desdobramentos. Refiro.me a essas quatro categorias como um mapa de “declaração de posição” porque ele estabelece uma situação em que as pessoas, incluindo crianças pequenas, podem ser consultadas de forma radical sobre o que é importante para suas vidas... Com frequência esta é uma posição nova para as pessoas, porque, na maioria das vezes, elas se encontram submetidas à posição que foram definidas por ‘outros’ sobre seus problemas e dificuldades. Esse mapa também é de declaração, no sentido de que é por meio dessa investigação que a posição do terapeuta fica claramente definida. É uma posição descentrada em que o terapeuta não é o autor das posições que as pessoas tomam sobre os problemas e dificuldades de suas vidas. Mas é também uma posição de influência, visto que é por meio da introdução dessas categorias que o terapeuta possibilita às pessoas uma chance de definir suas próprias posições em relação a seus problemas e expressar aquilo que fundamenta sua posição. Este papel descentrado pode ser difícil de se alcançar, pois, muitas vezes, encontramos pessoas que expressam graus consideráveis de frustração e desesperança, que exauriram todas as outras vias conhecidas e estão desesperadas para encontrar algum alívio dessas opressões.(p.39)

Categoria de investigação 1 Negociar uma Definição Particular do Problema e Próxima da Experiência. (p.40)

Nesta primeira etapa o terapeuta apoia as pessoas na negociação da definição de dificuldades e problemas para os quais buscaram terapia. Nessa negociação, essas definições são caracterizadas detalhadamente. É por meio dessas caracterizações que definições “distantes da experiência” e “globais” se tornam “próximas da experiência” e “particulares” Uma descrição do problema “próxima da experiência” usa a fala da pessoa que busca terapia e que é baseada na sua compreensão de vida (desenvolvida na cultura de sua família ou comunidade e influenciada por sua história imediata). Ao usar a palavra particular, estou reconhecendo o fato de que nenhum problema é percebido de maneira idêntica por pessoas diferentes ou em momentos diferentes na vida de uma pessoa. Nenhuma dificuldade ou problema é uma réplica direta de outro problema ou dificuldade, nem é uma cópia carbono da mesma dificuldade ou problema no presente como foi no passado.

Categoria de Investigação 2 – Mapeando os Efeitos do Problema (p.43)

Esta segunda etapa no desenvolvimento de conversações de externalizações inclui uma investigação sobre efeitos/influências do problema nos vários domínios da vida em que são identificadas complicações. Isto pode incluir: • Casa, local de trabalho, escola, assuntos análogos. • Relacionamentos familiares, a relação consigo mesmo, amizades., • Identidade, incluindo os efeitos do problema sobre objetivos, esperanças, sonhos, aspirações e valores. • Possibilidades futuras e perspectivas de vida Essa investigação não precisa ser exaustiva, mas deve incluir algum relato das principais consequências das atividades e operações do problema. Essa investigação sobre os efeitos ou a influência do problema coloca as conversas de externalização em terreno firme, e neste ponto a transição entre estas e as conversas de internalização de senso comum fica claramente evidente. (p.43)

Categoria de investigação 3 – Avaliando os Efeitos das Atividades do Problema (p,44)

Nesta terceira etapa, o terapeuta auxilia a pessoa a avaliar as operações e atividades do problema, bem como os principais efeitos em sua vida. Esta avaliação geralmente é iniciada com perguntas como: Para você essas atividades estão ok? Como você se sente sobre estes acontecimentos? Como estão esses acontecimentos para você? Onde você se situa nesses acontecimentos? Qual sua posição no que está se desdobrando aqui? Esse desdobramento é positivo ou negativo – ou ambos, ou nenhum, ou algo intermediário? Se isso lhe fosse apresentado como o destino de sua vida, você teria alguma pergunta? Estas perguntas e outras similares convidam as pessoas a refletirem sobre desenvolvimentos específicos de suas vidas. Para muitos esta é uma experiência nova em suas vidas, pois com frequência é o caso em que este tipo de avaliação tenha ficado sobre a influência de outros. (p.45)

Categoria de investigação 4 - Justificando a Avaliação (p.48)

A quarta etapa inclui uma investigação sobre o “porque” das avaliações das pessoas. Esta investigação geralmente é iniciada com perguntas como: Por que isso está/não está bem para você? Por que você se sente assim em relação a esse este desenvolvimento? Por que tem essa posição em relação a este fato? Entretanto a investigação também pode ser iniciada de outras maneiras. Às vezes, é mais adequado buscar uma história que fornecerá um relato do “porque”: “Você poderia me contar uma história sobre sua vida que me ajudaria a entender por que você tomaria essa posição em relação a esse acontecimento? Que história dentro de sua história seu pai poderia compartilhar para lançar um pouco de luz sobre o “porque” de você estar tão infeliz com esses acontecimentos?