NARRATIVAS DE VIDAS

Sou  Psicologa  CRP-03/01376  e  uso a abordagem da Narrativa como instrumento de  trabalho. A Terapia Narrativa é uma visão de mundo, uma filosofia de vida inserida em uma abordagem terapêutica pós-estruturalista que não separa o observador do observado.

INTRODUÇÃO

COMENTANDO FILMES BIOGRAFICOS COM O APOIO TEÓRICO DA TERAPIA NARRATIVA  

INTRODUÇÃO

O cinema sempre esteve presente na minha vida. Na minha juventude na cidade em que nasci só tínhamos três cinemas, o que fazia com que fosse ao cinema quase todos os dias porque os filmes mudavam aos sábados e quartas. Eu e uma prima minha guardávamos o dinheiro da merenda, quando tínhamos, para ir ao cinema. A minha vida foi permeada pelos filmes e astros de Hollywood, filmes franceses e italianos e assim me aventurei pelo mundo afora sob a influência do cinema e vim parar em Salvador. Aqui, sempre vinculada às artes, qualquer tipo de arte, terminei por frequentar durante alguns anos grupos ligados ao cinema. Na inquietude da vida fiz Faculdade de Psicologia e trabalhei desde então nessa área.

Assim li A Psicanalise e Freud no cinema, Lacan vai ao cinema, Jung & filmes mostrando o link entre os conceitos e ideias deles com alguns filmes

A especificidade dos conceitos teóricos da abordagem da Terapia Narrativa exemplificadas nos filmes biográficos é o foco deste livro. Aqui estão algumas semelhanças e também diferenças do cinema com a Terapia Narrativa.

O cinema é um exemplo muito bom das narrativas de vidas que podem ser vistas de infindáveis ângulos. Os filmes utilizam narrativas de histórias de vidas imaginárias ou reais. Quantos filmes podem ser vistos sobre um mesmo tema? Já pensaram se o cinema ficasse preso a só um aspecto da vida? Com o filme cada diretor traz o testemunho de sua versão da vida.

A Terapia Narrativa, o próprio nome já diz, inclui e também está conectada as narrativas das vidas das pessoas com os problemas que trazem.

A Terapia Narrativa propõe uma visão multíplice do ser humano com todas as possibilidades que tem cada indivíduo, casal, família ou comunidades. Precisamos buscar diferentes aspectos da vida de uma pessoa para não ficarmos presos a uma só história saturada. Cada ser humano traz em si partes de um todo ao mesmo tempo em que traz consigo esse todo. Assim, cada pessoa pode trazer uma forma diferente de narrar um problema comum a tantas outras pessoas. A Terapia Narrativa propõe uma visão múltipla e aberta do ser humano.

O cinema como qualquer forma de arte permite ver imagens em diversos níveis, oferece um significado e espaço para que se testemunhem diversos retratos das múltiplas narrativas de vidas, em seus aspectos socioculturais, imaginários e reais. O cinema se tornou um meio de engajamento com normas estabelecidas ou não pelo sócio cultural. Numa sala de cinema somos testemunhas silenciosas das histórias narradas.

A T. Narrativa escuta no contexto mais protegido das sessões de terapia e focaliza as narrativas no presente com as histórias vivenciadas individualmente, com a família ou de forma coletiva. O que a T. Narrativa quer e qualquer ser humano deseja quando vem até nós terapeutas é uma nova atitude de engajamento com a vida.

Formas populares do cinema comercial podem oferecer novas visões, novas perspectivas. Os filmes fazem recortes de determinado assunto, recortes da vida de uma pessoa, mas é apenas um recorte da vida que focaliza naquilo que o diretor quer mostrar. O cinema é uma experiência coletiva que envolve uma resposta individual comparável a uma experiência compartilhada em comum com o grande publico. A vida real das grandes figuras de destaque no mundo, quando mostradas no cinema ficam mais conhecidas do grande publico. Não quero interpretar, comentar, nem pesquisar a vida das pessoas nos filmes como um todo, até porque isso é impossível. O que quero é destacar aspectos em que possa ilustrar os pressupostos da Terapia Narrativa.

Não vou escrever, nem analisar a parte técnica dos filmes, nem fazer uma interpretação do que está sendo mostrado, pretendo apenas descrever a conexão das narrativas das vidas dos personagens cine biografados com a abordagem da Terapia Narrativa.

A imagem no cinema e na vida pode tornar-se visível como se estivéssemos:

¬ Numa viagem de avião, sentada, vendo as coisas de cima, através das nuvens.

¬ Numa viagem de trem subterrânea, sem paisagem, tudo passando rápido.

¬ Numa viagem de ônibus, vendo a vida através da janela.

¬ Ou a pé, com o pé no chão, vivendo cada passo na vida nossa de cada dia.

O ser humano tem seus próprios mecanismos de auto regulação. A razão e a loucura são construídas com os mesmos elementos, o que muda, o que as diferencia está na forma de captá-las em nossa vida. Quando uma pessoa vem para uma terapia já chega contando um problema, por exemplo, já vem com um diagnóstico de depressão ou esquizofrenia, etc., portanto aí já se iniciou uma ação para sair dessa posição fixa, com uma pergunta: Sou isso mesmo? Não quero ser isso. Porque se aceitar ser o problema, vai girar ao redor de um circulo vicioso e não sai. É desafiador exemplificar os conceitos da prática da Terapia Narrativa através da visão de algumas películas, principalmente filmes de dramas biográficos, de pessoas reais escolhidos por mim para demonstrar os conceitos que apoiam a T. Narrativa.

Vi muitos filmes como mera espectadora, agora além de espectadora pretendo escrever minhas impressões do que vi, de acordo com algo em que acredito – a Terapia Narrativa – e que vivencio diariamente na vida, no meu trabalho clínico, na supervisão, com os colegas com os quais compartilho os cursos que promovo em Salvador ou com aqueles que se interessam por esta abordagem.

O cinema comercial como um todo sustentou imagens, estereotipou sonhos e decepções, por exemplo, quando mostra o american way of life, a realeza inglesa, o charme francês, quando nos faz companheiros de Charles Chaplin, quando mostra o realismo italiano, só para citar as principais imagens que diariamente o cinema nos oferece, mesmo que algumas de forma romanceada. O cinema tem grande influencia na exterioridade do sócio cultural como um todo com as representações que coloca em nosso imaginário com imagens fixas e estereotipadas das mães, das mulheres, dos homens, do negro, dos gays, etc. Para evitar a fértil interpretação dos diretores, vou me pautar mais na configuração cine biográfica vez não ficou entusiasmado com a grande indústria do cinema. Sendo o cinema uma narrativa especial, o significado da história nos filmes é oferecido pela própria experiência e interesse da visão do diretor. O sentido da história é oferecido pela própria curiosidade ou vivência do diretor e equipe. Os filmes focam a atenção nos múltiplos aspectos de um mesmo fato que até mesmo já podem ter sido mostrados por outros diretores. São os diversos modos de dizer as mesmas coisas de formas diferentes. Nos filmes como na vida são oferecidas inúmeras possibilidades de ver as mesmas coisas de forma diferentes.

Os terapeutas narrativos focam na vida das pessoas com suas múltiplas alternativas frente à determinada situação ou problema que também já foram vividos por outras pessoas de forma diferente.

O enredo de um filme é algo visto de fora. Quando se vê um filme pode-se ficar emocionado com a situação mostrada, a pessoa pode até ficar identificada com o que é mostrado no filma, mas sabe que a história não faz parte de sua própria experiência, vem de fora, repercute nela, mas não foi vivido por ela, é apenas outra visão da vida.

O meu objetivo é ilustrar por meio de filmes biográficos os conceitos da Terapia Narrativa de forma breve para que possam ser mais bem compreendidos como exemplos reais. Elucido com a vida de pessoas famosas públicas para uma melhor compreensão dos conceitos. Escolhi filmes biográficos porque discorrem sobre a vida de pessoas conhecidas do grande público o que pode tornar visível os principais conceitos da Terapia Narrativa. Isso não quer dizer que só os famosos conseguem superar problemas, é bem o contrario, todos nós somos capazes de abrir novas possibilidades em nossas vidas, temos uma sabedoria própria para lidar com problemas, apenas muitas vezes não a usamos.

O ser humano tem seus próprios mecanismos de auto regulação. A razão e a loucura são construídas com os mesmos elementos, o que muda, o que as diferencia está na forma de captá-las em nossa vida. Quando uma pessoa vem para uma terapia já chega contando um problema, por exemplo, já vem com um diagnóstico de depressão ou esquizofrenia, etc., portanto aí já se iniciou uma ação para sair dessa posição fixa, com uma pergunta: Sou isso mesmo? Não quero ser isso. Porque se aceitar ser o problema, vai girar ao redor de um circulo vicioso e não sai.

É desafiador exemplificar os conceitos da prática da Terapia Narrativa através da visão de algumas películas, principalmente filmes de dramas biográficos, de pessoas reais escolhidos por mim para demonstrar os conceitos que apoiam a T. Narrativa. Vi muitos filmes como mera espectadora, agora além de espectadora pretendo escrever minhas impressões do que vi, de acordo com algo em que acredito – a Terapia Narrativa – e que vivencio diariamente na vida, no meu trabalho clínico, na supervisão, com os colegas com os quais compartilho os cursos que promovo em Salvador ou com aqueles que se interessam por esta abordagem.

O cinema comercial como um todo sustentou imagens, estereotipou sonhos e decepções, por exemplo, quando mostra o american way of life, a realeza inglesa, o charme francês, quando nos faz companheiros de Charles Chaplin, quando mostra o realismo italiano, só para citar as principais imagens que diariamente o cinema nos oferece, mesmo que algumas de forma romanceada. O cinema tem grande influencia na exterioridade do sócio cultural como um todo com as representações que coloca em nosso imaginário com imagens fixas e estereotipadas das mães, das mulheres, dos homens, do negro, dos gays, etc. Para evitar a fértil interpretação dos diretores, vou me pautar mais na configuração cine biográfica vez não ficou entusiasmado com a grande indústria do cinema. Sendo o cinema uma narrativa especial, o significado da história nos filmes é oferecido pela própria experiência e interesse da visão do diretor. O sentido da história é oferecido pela própria curiosidade ou vivência do diretor e equipe. Os filmes focam a atenção nos múltiplos aspectos de um mesmo fato que até mesmo já podem ter sido mostrados por outros diretores. São os diversos modos de dizer as mesmas coisas de formas diferentes. Nos filmes como na vida são oferecidas inúmeras possibilidades de ver as mesmas coisas de forma diferentes.

Os terapeutas narrativos focam na vida das pessoas com suas múltiplas alternativas frente à determinada situação ou problema que também já foram vividos por outras pessoas de forma diferente. O enredo de um filme é algo visto de fora. Quando se vê um filme pode-se ficar emocionado com a situação mostrada, a pessoa pode até ficar identificada com o que é mostrado no filma, mas sabe que a história não faz parte de sua própria experiência, vem de fora, repercute nela, mas não foi vivido por ela, é apenas outra visão da vida.

O meu objetivo é ilustrar por meio de filmes biográficos os conceitos da Terapia Narrativa de forma breve para que possam ser mais bem compreendidos como exemplos reais. Elucido com a vida de pessoas famosas públicas para uma melhor compreensão dos conceitos com fatos reais como se fossem estudos de casos de pessoas que deram grandes contribuições para o mundo e para a vida. Levante a mão quem alguma vez não ficou fascinado assistindo filmes?

Escolhi filmes biográficos porque discorrem sobre a vida de pessoas conhecidas do grande público o que pode tornar visível os principais conceitos da Terapia Narrativa. Isso não quer dizer que só os famosos conseguem superar problemas, é bem o contrario, todos nós somos capazes de abrir novas possibilidades em nossas vidas, temos uma sabedoria própria para lidar com problemas, apenas muitas vezes não a usamos. Quis também mostrar uma forma de entrelaçar a arte de fazer filmes com outros aspectos da vida, como por exemplo, as crenças socioculturais nas quais se fundamenta a Terapia Narrativa.